Posts com a Tag ‘bruno rodrigues’

— Sobre fazer coisas diferentes —

quarta-feira, 9 de novembro de 2011 por Bruno Rodrigues

Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , ,

Convite_Vendedor_Email

Para que você entenda a proposta deste artigo, vale uma nova apresentação: sou Bruno Rodrigues, 44 anos, especialista em informação para a mídia digital, há 15 anos no mercado, tenho dois livros lançados sobre webwriting – o terceiro a caminho -, elaborei no ano passado o padrão brasileiro de redação online para o Governo Federal e, ao longo de mais uma década, já atendi mais de 40 empresas, entre treinamentos e consultorias relacionadas à redação online e arquitetura da informação. Além disso, este mês lanço meu primeiro trabalho como roteirista de história em quadrinhos.

Oi?

História em quadrinhos?

Eu sei, você deve estar se perguntando: ‘Que p*rra é essa? O que esse cara, com o currículo que tem, a posição que alcançou, a grana legal que deve estar ganhando… está fazendo se enfiando com quadrinhos?

Por isso, eu entendo a cara de paisagem que muitos amigos fazem quando digo que vou lançar meu primeiro trabalho como roteirista de hqs no Festival Internacional de Quadrinhos, que acontece este mês, em Belo Horizonte.

Alhos como bugalhos, parece.

Mas não é bem assim.

Sempre gostei de produzir. Desde que engrenei na área de Comunicação – a bem dizer, em meados dos anos 90, junto com o primeiro bonde de profissionais da internet brasileira -, descobri como era maravilhoso trabalhar e ter prazer ao mesmo tempo.

Antes, achava que uma coisa não se misturava com a outra. Quando me vi produzindo e adorando o que fazia, percebi que era apenas o início.

Eu poderia ter ficado no dia a dia do bom trabalho que consegui na época, mas quis ir além – e fui espontaneamente procurar onde expandir o prazer que havia descoberto.

De uma coluna sobre webwriting em um portal veio o convite para dar aulas, dali a vontade de escrever um livro e a ideia de prestar consultoria. A cada passo dado, o prazer acompanhava o trabalho – como é até hoje.

Por isso, não entendo quem vê produção como sinônimo de ‘trabalho’ – e na pior concepção da palavra.

Ainda estranho quem começa o ano já contando os dias para o próximo feriado, quem acorda na segunda-feira pensando na sexta-feira, quem vê trabalho – e, portanto, produção – como obrigação: aquela atividade diária ‘pé-no-saco’ que você é obrigado a aturar para fazer o que você realmente gosta. O que, na maioria das vezes, passa bem longe de produção.

Eu não encaro desta maneira: ainda quero produzir muito, e trabalhar com informação para a mídia digital é apenas uma parte do que pretendo realizar.

Os quadrinhos me pegaram de surpresa. Nunca fui especialmente apaixonado por hqs, nunca suportei super-heróis, por exemplo. Mas sempre admirei quem levava a sério o assunto, e por isso, ainda criança, autores como Hergé (‘Tintin’) e Goscinny e Uderzo (‘Astérix’) me chamaram a atenção – e deles li tudo, várias vezes.

Deste ‘levar a sério’ o que mais me fascinava era o respeito que os dois tinham ao contar histórias; por mais simples que fosse o tema, havia lógica, criatividade, coerência. O que, já adulto, reconheceria como profissionalismo.

Há cerca de dois anos, totalmente ao acaso, descobri o trabalho dos brasileiros – e irmãos – Fábio Moon e Gabriel Bá. Nos dois, percebi mais uma vez a visão profissional de contar histórias que também me fascina em autores como J.K. Rowling: dane-se o que os ‘outros’ acham, o que importa é o leitor.

De início, achei que o processo de trabalho era o que me interessava, até o início deste ano, quando, ao frequentar um curso de Fábio e Gabriel em São Paulo, percebi que havia encontrado a minha (segunda) turma.

Se eu havia trilhado 15 anos para conseguir chegar até onde havia chegado em Comunicação Digital, era hora de começar mais um caminho, de abrir novas trilhas de produção em outra área – curiosamente, onde o impresso (ainda) impera.

O cara da redação online fazendo quadrinhos de papel. O mundo dá muitas voltas.

Mas o ‘x’ da questão não é o fato de eu ter criado um ‘lado B’ – a bem da verdade, classe A – de produção, mas o fato de ter me proposto a começar do zero em uma atividade onde, por mais que as algumas pessoas já me conheçam de outras praias e comentem – ‘legal, já li seu livro na faculdade’ ou ‘já ouvi falar de você na internet’ –, sou um iniciante, alguém que precisa (e quer) ter a humildade de quem está começando.

Claro que roteiro é escrita, e é justamente nesta área que tenho desenvoltura, mas, acreditem, o buraco de produzir histórias em quadrinhos – no meu caso, para adultos – é muito mais embaixo. E mais: talvez pelo fato de eu ser reconhecido em uma área ‘da mesma família’ (texto), isso aumenta ainda mais a cobrança, principalmente a minha.

Em meados de 2012 publico meu terceiro livro sobre webwriting; no final do segundo semestre, lanço minha segunda HQ. É muito trabalho, muito prazer e, querendo ou não, muita coragem.

E você, já pensou em começar do zero em uma nova atividade?

********************************************************

Se quiser saber detalhes sobre a hq ‘O vendedor de esqueletos’, que lanço este mês juntamente com o desenhista João Henrique Belo, cheque a fanpage no Facebook.

E, ainda em novembro, vou ministrar o curso ‘Webwriting’ em Curitiba, em parceria com o Instituto Faber-Ludens – participe!

—– O dom da palavra nas mídias sociais —–

sexta-feira, 30 de setembro de 2011 por Bruno Rodrigues

Tags: , , ,

(Texto originalmente publicado na revista ‘Wide’ e na ‘Webinsider’)

Imagine uma sessão de hipnose. Na penumbra, estão um voluntário e você, o mágico. Na sua mão direita, um pêndulo balança incessantemente. Antes que um de vocês perceba, a experiência surte efeito.

Agora transponha a situação para as mídias sociais: você tem a missão de fisgar o usuário, que está ali de livre e espontânea vontade, e é no uso da palavra que você tem a ferramenta mais eficaz para a tarefa – seu ‘pêndulo digital’, portanto.

Entenda como ‘pêndulo’ o enorme esforço de persuasão que é necessário despender nas mídias sociais para criar a comunicação com o usuário através da palavra – e por isso é essencial saber conversar com os mais diferentes perfis.

E m resumo, todo o esforço de ‘hipnose’ corre o risco de ir por água abaixo se a persuasão não passar de intenção, ou seja, se você não souber fazer o ‘pêndulo’ se movimentar.

Mais uma vez, é bom lembrar: é a palavra que move a persuasão nestes ambientes.

Então, vamos à experiência: palavra como força motora para a persuasão; de um lado, está a informação; do outro, o relacionamento.

O ‘pêndulo’ se movimenta: a informação leva ao relacionamento; o relacionamento leva à informação; a informação leva ao relacionamento.

Um ponto leva ao outro, e quanto mais informação e relacionamento trocam figurinhas, mais a palavra toma força e a persuasão conquista o usuário.

Para lá, pra cá, com rapidez e eficiência.

Que fique claro: informação e relacionamento existem nos dois ambientes mais conhecidos das mídias sociais: redes e microblogs – o que não é novidade para ninguém.

Para que o movimento do ‘pêndulo’ não pare no meio, contudo, é preciso enxergar além do óbvio e perceber que, dependendo do ambiente, é informação *ou* relacionamento quem manda o ‘pêndulo’ de volta.

Em um dos ambientes a informação atrai a palavra, utiliza-a como veículo e manda o ‘pêndulo’ de volta. No outro, é o relacionamento quem usa a palavra e empurra o ‘pêndulo’ para a informação.

Mas em que extremo, em que ambiente manda a informação? E em qual deles o relacionamento dá as cartas?

* Nas redes sociais, o relacionamento leva à informação

É no contato mais próximo possível com uma marca que o usuário conhece seus produtos, serviços e a própria empresa, e nenhum ambiente é tão propício que uma rede. Mas só existe interesse se há informação; e só há informação se os ‘embaixadores’ da marca estão presentes na rede todo o tempo.

É a conversa que gera o interesse pela marca nestes ambientes; quanto mais contato, mais persuasão. Mas, atenção: informação perene e organizada mora em sites, e não em redes – o que não impede que elas *também* estejam lá, é claro. Papo e palavra levam à persuasão, que por sua vez leva à informação, seja onde ela estiver.

* Nos microblogs, a informação leva ao relacionamento

Poucos caracteres e uma precisão cirúrgica sobre o que dizer. Em um post de um microblog, quem faz contato é a informação. O usuário passa rápido, assimila o que quer e o que pode.

Continuidade não existe; a fidelidade só existe na teoria, lá trás, quando o usuário começou a seguir o perfil da marca. Por isso, não conte com encadeamento de ideias. Dê seu recado e continue o trabalho. Dê o que o usuário deseja ali, mesmo, e trabalhe pelo relacionamento. Sempre que possível, encaminhe-o para as redes, onde há mais informação e contato. E, mais uma vez, valorize o site, pois lá estão as informações mais profundas, e – que não caia no esquecimento – as tradicionais ferramentas de relacionamento.

Nunca esqueça: para lá, pra cá, com rapidez e eficiência. O usuário, feliz da vida – assim como você e sua marca -, estará o sob seu controle… ;-)