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—– ‘Cartilha de Redação Web’ —–

terça-feira, 29 de junho de 2010 por Bruno Rodrigues

cartilhaegov

No final do ano passado fui contratado pelo Ministério do Planejamento (Governo Eletrônico) para desenvolver o padrão brasileiro de redação para a web, mais especificamente a ‘Cartilha de Redação Web’, que ficou pronta este mês e já está disponível em www.governoeletronico.gov.br (logo na primeira página ou em ‘Biblioteca’) para todo brasileiro, seja profissional, estudante, empresa, órgão do Governo, acadêmico – ou até curioso- baixar gratuitamente.

Embora seja fruto de minha dedicação de uma década ao estudo do conteúdo online, que já resultou em dois livros e a citação no ‘Dicionário da Comunicação’, tudo é fichinha perto da ‘Cartilha de Redação Web’.

Com a Cartilha, estou colaborando, em escala nacional, para disseminar um conhecimento que se confunde com minha vida profissional e que, tenho certeza, será de grande valia para quem produz conteúdo em português para a web nacional.

Mais que isso, é uma forma direta e objetiva de melhorar a maneira como os sites governamentais oferecem informações e serviços aos cidadãos – foi este, de fato, o grande motivador para a equipe do Governo Eletrônico (e-Gov) criar os ‘Padrões Brasil e-Gov’.

Quanto mais, por exemplo, as equipes dos órgãos do Governo brasileiro dominarem técnicas de redação para a web, mais clara, eficaz e simples será nossa relação com os sites da esfera pública.

Nada do que produzi para o material é teórico, cada item é reflexo de boas práticas de mais de uma década na relação conteúdo e leitor, governo e cidadão. Tudo foi pensado, checado, avaliado e revisto dezenas de vezes.

A Cartilha passou pela visão crítica do Governo Eletrônico e, ao final, foi colocada um mês em consulta pública, para que todo e qualquer brasileiro pudesse dar sua sugestão.

Um ponto fundamental: os documentos produzidos pelo e-Gov não são regras, e sim um conjunto de sugestões de como a web Brasil pode ficar ainda melhor, a começar pelos sites do próprio Governo.

Poucos são os países que realmente se preocupam com a relação com seus cidadãos via internet – Estados Unidos, Austrália, Nova Zelândia e Canadá são exceções.

Fazemos agora parte deste time.

Dizer que estamos dando um passo significativo com a criação de padrões para a web é pouco. Para a nossa relação com os governantes, é muito mais que isso, pois, a partir daí, tudo pode mudar. Para o mercado brasileiro de Comunicação Digital, é um avanço que não imaginávamos que seria feito tão cedo. Para os profissionais, é um norte, concordemos ou discordemos com as sugestões – mas é um norte.

Desta forma, conto com vocês na divulgação da Cartilha!

Muito obrigado! :-)

— Cursos (2o semestre) —

sexta-feira, 7 de maio de 2010 por Bruno Rodrigues

Para quem mora no Rio de Janeiro e em outros estados, seguem as datas de cursos que irei ministrar nos próximos meses.

Qualquer dúvida, estou à disposição!

Uma boa novidade: os cursos do Rio serão, a partir de agosto, ministrados no Centro, pertinho do metrô da Cinelândia.

16/08Curso ‘Webwriting e Arquitetura da Informação’ [a distância]

Minha primeira turma de EAD em Webwriting e Arquitetura da Informação. A ideia é proporcionar a melhor experiência e o melhor conteúdo possíveis aos alunos. Mais informações via ead@facha.edu.br.

17/08 - Curso ‘Webwriting e Arquitetura da Informação’ [Rio de Janeiro]

Será a 71a edição do meu curso no Rio, que está completando dez anos em 2010. Faculdades Integradas Hélio Alonso, prédio do Instituto Brasileiro de Cultura Hispânica, Rua das Marrecas, 31, Centro (Cinelândia). Mais informações em Curso ‘Webwriting e Arquitetura da Informação’.

19/10 - Curso ‘Arquitetura da Informação – Módulo Avançado: Etapas de um Projeto & Visão de Mercado’ [Rio de Janeiro]

Para quem já fez o módulo básico de Arquitetura da Informação e/ou necessita entender como se lida com um projeto em Arquitetura da Informação e deseja ter contato com ‘feras’ da áreaFaculdades Integradas Hélio Alonso, prédio do Instituto Brasileiro de Cultura Hispânica, Rua das Marrecas, 31, Centro (Cinelândia). Mais informações em Curso ‘Arquitetura da Informação – Etapas de um Projeto & Visão de Mercado.

— Entrevistas —

segunda-feira, 16 de novembro de 2009 por Bruno Rodrigues

Duas boas entrevistas que dei nos últimos dias eu transcrevo aqui – ambas  ótimas, com perguntas bem inteligentes e que respondi com prazer!

BLOG DA EMPRESA DE CONTEÚDO ‘VOGG’, DO RIO DE JANEIRO

Bruno Rodrigues e o “conteúdo totalflex”

A tecnologia e as novas formas de consumo de conteúdo que ela possibilita exercem uma influência incontestável sobre a atuação dos profissionais de Comunicação. Nossa atividade não é mais regida pela lógica do jornalismo tradicional de redação. E hoje, além dos usuários ativos que produzem muito conteúdo e saem distribuindo através de diversas plataformas, nós, comunicadores por formação, estamos disputando mercado com profissionais de outras áreas.

E para comentar sobre esse assunto que deixa muita gente por aí de cabelo em pé, conversamos com o prestigiado Bruno Rodrigues, Consultor de Informação e Comunicação Digital e autor de Webwriting – Redação & Informação para a Web, cuja nova edição está prevista para sair em breve. Em um papo rápido, Bruno coloca sua opinião sobre como se deve produzir conteúdo atualmente e apresenta suas expectativas para o futuro da Comunicação na Era Digital.

Bruno_Rodrigues[1] Como as novas formas de consumo de conteúdo influenciam na maneira de produzir?
Hoje, pensar e produzir conteúdo é criar materiais que não criem amarras com uma mídia específica, mas que ao mesmo tempo seja possível trabalhá-los em várias plataformas. É o que chamo de ‘conteúdo totalflex’. Nunca, no processo de criação de conteúdo, houve tanta necessidade de aliar imaginação e conhecimento às limitações e possibilidades tecnológicas. É uma tarefa que, obviamente, não é para qualquer um.

Com base nas mudanças na distribuição e produção de conteúdo, quais as suas expectativas para a Comunicação e para a atuação dos profissionais da área?
Os profissionais desta área estão próximos da desvantagem. Como este mercado supervaloriza a prática, o conhecimento é visto como necessidade secundária. Por isso, profissionais de outras áreas e que se fiam mais pelo que aprendem na Academia, como bibliotecários, analistas de sistemas e engenheiros, estão preenchendo vagas que poderiam ser de jornalistas e publicitários. Mas o jogo nem está na metade – ainda dá tempo para virar o placar.

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BLOG ‘PUBLIMINAS’ (PUBLICIDADE MINEIRA)

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Entrevista com Bruno Rodrigues, pioneiro em webwriting no Brasil

João Marcelo (@jonesmeira), redator web da Solution e colaborador do blog, entrevistou Bruno Rodrigues, pioneiro em webwriting no Brasil, um dos maiores especialistas em informação para a mídia digital da América Latina, e o terceiro a escrever um livro sobre o assunto no mundo (Webwriting – Redação e informação para a Web). O começo de tudo, redes sociais, novas tecnologias e até uma cutucada no escritor português, José Saramago. Confira:

1 – De onde nasceu seu interesse pela internet e pelo webwriting, em tempos onde os dois ainda engatinhavam?

Sempre fui muito ligado à tecnologia e comunicação, mas em meados dos anos 80, quando fiz vestibular, não havia como mesclar estas duas atividades e transformá-las em uma profissão. O microcomputador tinha acabado de ser criado, e a web só nasceria no final daquela década. Meu teste vocacional apontou informática e jornalismo, e cheguei a pensar: ‘o que vou fazer, escrever manuais para computadores?’. A bem da verdade, era só uma questão de tempo, meu grande aliado.

Quando me conectei à internet pela primeira vez, em 1995, pensei: ‘como profissional de comunicação, como posso atuar nesta área?’. E, é claro, foquei em redação. Na época, participava de duas listas de discussão sobre web e começaram a abordar o assunto ‘texto na internet’. Ninguém ali, óbvio, tinha experiência, mas todos estavam começando a tentar trabalhos na área – eu era um deles. Como havia conseguido trabalho como freelancer em assessoria de imprensa para um provedor de acesso, um dos sócios da empresa me ofereceu a oportunidade de escrever textos para os sites dos clientes. Como já havia reunido material razoável sobre o assunto, aceitei o desafio – foi assim que comecei.

2 – Algumas pessoas pensam que o webwriting apenas cria textos para a web. Quais as principais funções desse profissional?

Lidar com os vários formatos da informação no ambiente digital: foto, ícone, vídeo, tabela, áudio, gráfico e, é claro, texto. O bom webwriter, por mais que receba uma informação em formato texto, deve raciocinar: ’será que, nesta camada do site, é em texto a melhor forma de tratar a informação?’. Às vezes sim – em camadas mais superficiais -, às vezes não – em camadas de detalhamento. Além disso, é preciso entender que a ‘persona’ redator do webwriter só deve atuar quando necessário. Costumo dizer que, na verdade, quando o webwriter lida com texto, ele é ‘gestor da informação digital’, e não redator. O redator é amante da frase, o gestor da informação digital é amante da palavra, que é a chave para tudo, hoje em dia, na internet. A palavra é sinalizador, ponte, definição, auxílio – mas passa bem longe da função de expressão, que é o que uma frase procura.

3 – Com as novas tecnologias, as milhões de possibilidades que nascem todos os dias na rede, como fica a formação e a qualificação do webwriting?

O webwriter é o profissional que lida com a informação no meio digital, e ponto. Atrelar esta função ao jornalista, à beira da segunda década do século XXI, é uma visão muito limitada da atividade e das oportunidades de mercado. Existe uma quantidade enorme de profissionais de Letras e Biblioteconomia atuando na área no mundo inteiro, por exemplo. Claro que o profissional que lida com texto supera outro que não tenha intimidade com a escrita, mas é apenas o ponto zero para a qualificação de um profissional. A verdade é que temos, atualmente, até engenheiros e analistas de sistemas que se destacam na área. Esta mistura de conhecimentos é fascinante – e eficaz, não duvide.

4 – Qual a sua opinião sobre o conteúdo – profissional ou amador – gerado na/para web, e a forma como as pessoas estão consumindo informação na rede?

Muito do que se produz na web é lixo, mas sabemos que existe muito material elaborado diariamente em blogs que possui um nível excepcional, por exemplo. Já sabemos distinguir o joio do trigo, e não vejo isso mais como algo crítico para a credibilidade da web, como acontecia há alguns anos.

O consumo de informação na Rede é algo bastante complexo. Informações absorvidas de uma página web competem com outros aplicativos abertos no computador, como comunicadores instantâneos, processadores de textos e planilhas, só para dar um exemplo. Além disso, raramente navegamos com apenas uma página aberta, revezamos entre outros sites e páginas de redes sociais, como facebook e twitter. É uma competição ferrenha entre o que chamará, de fato, a nossa atenção. A multitarefa é muito bonita na teoria, mas péssima como estímulo para o acesso a informações mais aprofundadas. O que fazemos é ficar na superfície dos sites. O ‘tesouro’ da informação, que fica em camadas subsequentes e que nos ajudará a criar conhecimento, luta para ser vista. Estudos mostram que é provável que nem a geração millemi um – que está chegando à adolescência – saberá lidar com a multitarefa e ao mesmo tempo perceber que o conhecimento não está nas primeiras camadas dos sites, e sim adiante. E é missão do webwriter e do arquiteto da informação trabalhar para isso, não é obrigação de usuário algum saber o que está perdendo.

5 – Os primeiros Kindles – leitor de publicações eletrônico da Amazon – estão chegando ao Brasil. Você acha que os jornais impressos irão acabar? Em um futuro próximo, essa pode ser uma preocupação para as editoras de livros?

Vão acabar, sim, mas não agora, nem nas próximas décadas. É notório que ainda existe uma resistência cultural de séculos para aceitar que informação digital tem a mesma validade que informação em papel. A impressão é se tem é que a informação digital se esvai no ar, para muitos é difícil aceitar que ela estará, cada vez mais, disponível em rede, acessível de qualquer lugar, a qualquer hora, sem estar acorrentada a maços de papel como livros e jornais. É como se a informação precisasse estar impressa para existir – por isso as próximas gerações ainda lerão jornais em papel e livros impressos, até virar exceção. Nada será tão radical como muitos gostariam, nem lento como alguns têm esperança. O Kindle, o Sony Reader e o Nook são os abre-alas desta era, assim como de jornais de ponta c omo El País e The New York Times e suas versões digitais.

As editoras estão fora da zona de perigo pela qual as gravadoras passaram e de onde saíram gravemente feridas. Hoje, o ponto questão é: a venda de ebooks, bem mais baratos que os de papel, poderia se sustentar como centro de um modelo de negócios? Quanto tempo demoraria para esta fase de experimentação converter-se em lucro real e constante para uma editora? Já se sabe que a voracidade da pirataria em livros digitais é infinitamente menor do que acontece com a música, mas esta seria uma fase passageira? Um grupo de rock pode sobreviver à base de shows e ignorar a troca de músicas via Rede, mas e um escritor, o que ele iria fazer para sobreviver? São questões que precisam ser resolvidas o quanto antes.

Para atrair os leitores para os ebooks, surgem novas tecnologias como os ‘vooks’, livros em que música e vídeos são inseridos em meio aos capítulos, sempre no contexto da narrativa, e com o propósito de ressaltar aspectos da história e dar mais vida a cenários, personagens ou passagens da trama. Vale a pena checar em www.vook.com.

6 – E as redes sociais? Acredita que as empresas estão caminhando para um uso consciente delas ou ainda falta muito? Pode citar exemplos?

Sim, vejo o ano que vem como definitivo para a sedimentação deste mercado. Contudo, é preciso acabar com um ruído neste mercado: a proliferação de ‘experts’ em redes sociais. Um expert é aquele que tem experiência o bastante em uma área para se intitular com tal, e estamos falando em um mercado (mídias sociais) muito novo, de cinco, seis anos. Conheço poucos profissionais que, em tão pouco tempo, já merecem este título. A multiplicação de ‘expert instantâneos’ é prejudicial ao mercado, porque eles acabam por criar estratégias equivocadas para os clientes, e os resultados desastrosos mancham a imagem dos verdadeiros especialistas. Profissionais como Cláudio Torres, Nino Carvalho, Roberto Cassano e Juliano Spyer não merecem isso.

Poderia dar exemplo de grandes empresas e cases famosos em mídias sociais, mas prefiro citar o trabalho de ‘formiguinha’ que editoras brasileiras como Intrínseca e Ediouro estão realizando com seus leitores. A Intrínseca, em especial, tem sido feliz em agir de maneira certa e contar de imediato com o apoio e o trabalho espontâneo de seu público. É bonito de se ver.

7 – Sobre o Twitter, José Saramago disse: “Os tais 140 caracteres reflectem algo que já conhecíamos: a tendência para o monossílabo como forma de comunicação. De degrau em degrau, vamos descendo até o grunhido”. O que você acha dessa afirmação do escritor português?

Péssima. As gerações que estão à frente das nossas têm obrigação de facilitar o acesso ao futuro, e não embotá-lo. José Saramago deveria estimular o uso de novas tecnologias que facilitam a produção de literatura em novas plataformas, e não cobri-las de preconceito. Se procurasse conhecer mais o twitter, saberia que a limitação de 140 caracteres é uma questão de estilo, assim como acontece com a produção de textos para qualquer outra mídia. Caso eu encarasse escrita da mesma forma que ele critica os ‘grunhidos’ do twitter, poderia tê-lo taxado de ‘verborrágico’, já que ele tem costume de não usar pontuação em suas obras.

8 – Para fechar, dê algumas dicas para os profissionais que têm interesse pelo webwriting ou estão começando na área.

O principal é entender que webwriting é mais uma ferramenta dentro do universo do trabalho da informação digital. E, por isso, aprender a lidar com arquitetura da informação, otimização de sistemas de busca, direito digital, acessibilidade e tantos outros assuntos. Mas o principal é perceber que o mercado de trabalho não está nas redações de jornais, mas em áreas como sites de comércio eletrônico e intranets de empresas, por exemplo – aí estão os bons salários.