—– Cursos ‘Webwriting’ e ‘Arquitetura da Informação’ presenciais e a distância [[Atualização para 2012]] —–

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011 por Bruno Rodrigues Categoria: Sem categoria

Este ano iniciei minha parceria com o iMasters PRO em ensino a distância e o primeiro curso oferecido foi ‘Webwriting‘ – um sucesso!

A próxima turma de ‘Webwriting‘ será em março de 2012; em agosto será a vez de ‘Arquitetura da Informação‘.

Os cursos que comecei a ministrar via iMasters PRO são ao vivo, em vídeo e com recursos como ‘quadro negro’ e chat, que são uma mão na roda e aproximam ainda mais o instrutor dos alunos. Veja logo abaixo algumas informações, ok?

Os cursos presenciais continuam: para quem mora no Rio de Janeiro, já há previsão de datas para os próximos cursos ‘Webwriting‘ e ‘Arquitetura da Informação‘: abril e junho, respectivamente.

Em Curitiba, o próximo curso ‘Webwriting‘ será em maio, no Instituto Faber-Ludens. Veja o link abaixo.

Seja para ‘Webwriting‘ ou ‘Arquitetura da Informação‘, seja presencial ou a distância, eu aguardo por você!

Até lá!

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Março de 2012 - Curso ‘Webwriting” [a distância]

Será a 2a turma do meu curso ‘Webwriting’ (módulo básico) a distância, ao vivo, em vídeo e via iMasters PRO, um excelente veículo para cursos online!

Ementa, datas, valores e informações gerais no site do iMasters PRO. Se desejar, envie desde já um email para pro@imasters.com.br.

Abril de 2012 - Curso ‘Webwriting: Módulos Básico e Avançado’ [Rio de Janeiro]

Será a 3a turma do meu curso ‘Webwriting’ – em sua 75a edição no Rio – a incluir o novo Módulo Avançado.

Assuntos que serão abordados no novo módulo: SEO (Otimização para Sistemas de Busca), Usabilidade, Direito Digital, Acessibilidade e Mídias Sociais, todos com foco, é claro, na produção de informação digital.

Faculdades Integradas Hélio Alonso, rua Muniz Barreto, 51, Botafogo. Ementa no site da FACHA, em ‘Cursos de Extensão’. Se desejar, envie desde já um email para extensao@facha.edu.br.

Maio de 2012 - Curso ‘Webwriting’ [intensivo] [Curitiba]

Será a 2a turma do meu curso ‘Webwriting’ em Curitiba, na sede do Instituto Faber-Ludens.

O  ‘minicurso’, além de abordar os princípios do Webwriting e os elementos da informação para a mídia digital (texto, imagem, áudio e vídeo), apresentará boas práticas em SEO (Otimização para Sistemas de Busca), Usabilidade, Direito Digital, Acessibilidade e Mídias Sociais.

Instituto Faber-Ludens, av. Cândido de Abreu, 140/13° andar, Centro Cívico, Curitiba. Ementa no site do Instituto Faber-Ludens. Se desejar, envie desde já um email para contato@faberludens.com.br.

Junho de 2012 - Curso ‘Arquitetura da Informação: Módulos Básico e Avançado’ [Rio de Janeiro]

O curso ‘Arquitetura da Informação’ agora também inclui os Módulos Básico e Avançado.

O objetivo do Módulo Avançado é preparar o profissional para lidar com um projeto de Arquitetura da Informação do início ao fim e deseja ter contato com ‘feras’ da área.

Faculdades Integradas Hélio Alonso, rua Muniz Barreto, 51, Botafogo. Ementa no site da FACHA, em ‘Cursos de Extensão’. Se desejar, envie desde já um email para extensao@facha.edu.br.

Agosto de 2012 - Curso ‘Arquitetura da Informação” [a distância]

Será a 1a turma do meu curso ‘Arquitetura da Informação’ (módulo básico) a distância, ao vivo, em vídeo e via iMasters PRO, um excelente veículo para cursos online!

Ementa, datas, valores e informações gerais em breve no site do iMasters PRO. Se desejar, envie desde já um email para pro@imasters.com.br

— Sobre fazer coisas diferentes —

quarta-feira, 9 de novembro de 2011 por Bruno Rodrigues

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Categoria: Sem categoria

Convite_Vendedor_Email

Para que você entenda a proposta deste artigo, vale uma nova apresentação: sou Bruno Rodrigues, 44 anos, especialista em informação para a mídia digital, há 15 anos no mercado, tenho dois livros lançados sobre webwriting – o terceiro a caminho -, elaborei no ano passado o padrão brasileiro de redação online para o Governo Federal e, ao longo de mais uma década, já atendi mais de 40 empresas, entre treinamentos e consultorias relacionadas à redação online e arquitetura da informação. Além disso, este mês lanço meu primeiro trabalho como roteirista de história em quadrinhos.

Oi?

História em quadrinhos?

Eu sei, você deve estar se perguntando: ‘Que p*rra é essa? O que esse cara, com o currículo que tem, a posição que alcançou, a grana legal que deve estar ganhando… está fazendo se enfiando com quadrinhos?

Por isso, eu entendo a cara de paisagem que muitos amigos fazem quando digo que vou lançar meu primeiro trabalho como roteirista de hqs no Festival Internacional de Quadrinhos, que acontece este mês, em Belo Horizonte.

Alhos como bugalhos, parece.

Mas não é bem assim.

Sempre gostei de produzir. Desde que engrenei na área de Comunicação – a bem dizer, em meados dos anos 90, junto com o primeiro bonde de profissionais da internet brasileira -, descobri como era maravilhoso trabalhar e ter prazer ao mesmo tempo.

Antes, achava que uma coisa não se misturava com a outra. Quando me vi produzindo e adorando o que fazia, percebi que era apenas o início.

Eu poderia ter ficado no dia a dia do bom trabalho que consegui na época, mas quis ir além – e fui espontaneamente procurar onde expandir o prazer que havia descoberto.

De uma coluna sobre webwriting em um portal veio o convite para dar aulas, dali a vontade de escrever um livro e a ideia de prestar consultoria. A cada passo dado, o prazer acompanhava o trabalho – como é até hoje.

Por isso, não entendo quem vê produção como sinônimo de ‘trabalho’ – e na pior concepção da palavra.

Ainda estranho quem começa o ano já contando os dias para o próximo feriado, quem acorda na segunda-feira pensando na sexta-feira, quem vê trabalho – e, portanto, produção – como obrigação: aquela atividade diária ‘pé-no-saco’ que você é obrigado a aturar para fazer o que você realmente gosta. O que, na maioria das vezes, passa bem longe de produção.

Eu não encaro desta maneira: ainda quero produzir muito, e trabalhar com informação para a mídia digital é apenas uma parte do que pretendo realizar.

Os quadrinhos me pegaram de surpresa. Nunca fui especialmente apaixonado por hqs, nunca suportei super-heróis, por exemplo. Mas sempre admirei quem levava a sério o assunto, e por isso, ainda criança, autores como Hergé (‘Tintin’) e Goscinny e Uderzo (‘Astérix’) me chamaram a atenção – e deles li tudo, várias vezes.

Deste ‘levar a sério’ o que mais me fascinava era o respeito que os dois tinham ao contar histórias; por mais simples que fosse o tema, havia lógica, criatividade, coerência. O que, já adulto, reconheceria como profissionalismo.

Há cerca de dois anos, totalmente ao acaso, descobri o trabalho dos brasileiros – e irmãos – Fábio Moon e Gabriel Bá. Nos dois, percebi mais uma vez a visão profissional de contar histórias que também me fascina em autores como J.K. Rowling: dane-se o que os ‘outros’ acham, o que importa é o leitor.

De início, achei que o processo de trabalho era o que me interessava, até o início deste ano, quando, ao frequentar um curso de Fábio e Gabriel em São Paulo, percebi que havia encontrado a minha (segunda) turma.

Se eu havia trilhado 15 anos para conseguir chegar até onde havia chegado em Comunicação Digital, era hora de começar mais um caminho, de abrir novas trilhas de produção em outra área – curiosamente, onde o impresso (ainda) impera.

O cara da redação online fazendo quadrinhos de papel. O mundo dá muitas voltas.

Mas o ‘x’ da questão não é o fato de eu ter criado um ‘lado B’ – a bem da verdade, classe A – de produção, mas o fato de ter me proposto a começar do zero em uma atividade onde, por mais que as algumas pessoas já me conheçam de outras praias e comentem – ‘legal, já li seu livro na faculdade’ ou ‘já ouvi falar de você na internet’ –, sou um iniciante, alguém que precisa (e quer) ter a humildade de quem está começando.

Claro que roteiro é escrita, e é justamente nesta área que tenho desenvoltura, mas, acreditem, o buraco de produzir histórias em quadrinhos – no meu caso, para adultos – é muito mais embaixo. E mais: talvez pelo fato de eu ser reconhecido em uma área ‘da mesma família’ (texto), isso aumenta ainda mais a cobrança, principalmente a minha.

Em meados de 2012 publico meu terceiro livro sobre webwriting; no final do segundo semestre, lanço minha segunda HQ. É muito trabalho, muito prazer e, querendo ou não, muita coragem.

E você, já pensou em começar do zero em uma nova atividade?

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Se quiser saber detalhes sobre a hq ‘O vendedor de esqueletos’, que lanço este mês juntamente com o desenhista João Henrique Belo, cheque a fanpage no Facebook.

E, ainda em novembro, vou ministrar o curso ‘Webwriting’ em Curitiba, em parceria com o Instituto Faber-Ludens – participe!

—– O dom da palavra nas mídias sociais —–

sexta-feira, 30 de setembro de 2011 por Bruno Rodrigues

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(Texto originalmente publicado na revista ‘Wide’ e na ‘Webinsider’)

Imagine uma sessão de hipnose. Na penumbra, estão um voluntário e você, o mágico. Na sua mão direita, um pêndulo balança incessantemente. Antes que um de vocês perceba, a experiência surte efeito.

Agora transponha a situação para as mídias sociais: você tem a missão de fisgar o usuário, que está ali de livre e espontânea vontade, e é no uso da palavra que você tem a ferramenta mais eficaz para a tarefa – seu ‘pêndulo digital’, portanto.

Entenda como ‘pêndulo’ o enorme esforço de persuasão que é necessário despender nas mídias sociais para criar a comunicação com o usuário através da palavra – e por isso é essencial saber conversar com os mais diferentes perfis.

E m resumo, todo o esforço de ‘hipnose’ corre o risco de ir por água abaixo se a persuasão não passar de intenção, ou seja, se você não souber fazer o ‘pêndulo’ se movimentar.

Mais uma vez, é bom lembrar: é a palavra que move a persuasão nestes ambientes.

Então, vamos à experiência: palavra como força motora para a persuasão; de um lado, está a informação; do outro, o relacionamento.

O ‘pêndulo’ se movimenta: a informação leva ao relacionamento; o relacionamento leva à informação; a informação leva ao relacionamento.

Um ponto leva ao outro, e quanto mais informação e relacionamento trocam figurinhas, mais a palavra toma força e a persuasão conquista o usuário.

Para lá, pra cá, com rapidez e eficiência.

Que fique claro: informação e relacionamento existem nos dois ambientes mais conhecidos das mídias sociais: redes e microblogs – o que não é novidade para ninguém.

Para que o movimento do ‘pêndulo’ não pare no meio, contudo, é preciso enxergar além do óbvio e perceber que, dependendo do ambiente, é informação *ou* relacionamento quem manda o ‘pêndulo’ de volta.

Em um dos ambientes a informação atrai a palavra, utiliza-a como veículo e manda o ‘pêndulo’ de volta. No outro, é o relacionamento quem usa a palavra e empurra o ‘pêndulo’ para a informação.

Mas em que extremo, em que ambiente manda a informação? E em qual deles o relacionamento dá as cartas?

* Nas redes sociais, o relacionamento leva à informação

É no contato mais próximo possível com uma marca que o usuário conhece seus produtos, serviços e a própria empresa, e nenhum ambiente é tão propício que uma rede. Mas só existe interesse se há informação; e só há informação se os ‘embaixadores’ da marca estão presentes na rede todo o tempo.

É a conversa que gera o interesse pela marca nestes ambientes; quanto mais contato, mais persuasão. Mas, atenção: informação perene e organizada mora em sites, e não em redes – o que não impede que elas *também* estejam lá, é claro. Papo e palavra levam à persuasão, que por sua vez leva à informação, seja onde ela estiver.

* Nos microblogs, a informação leva ao relacionamento

Poucos caracteres e uma precisão cirúrgica sobre o que dizer. Em um post de um microblog, quem faz contato é a informação. O usuário passa rápido, assimila o que quer e o que pode.

Continuidade não existe; a fidelidade só existe na teoria, lá trás, quando o usuário começou a seguir o perfil da marca. Por isso, não conte com encadeamento de ideias. Dê seu recado e continue o trabalho. Dê o que o usuário deseja ali, mesmo, e trabalhe pelo relacionamento. Sempre que possível, encaminhe-o para as redes, onde há mais informação e contato. E, mais uma vez, valorize o site, pois lá estão as informações mais profundas, e – que não caia no esquecimento – as tradicionais ferramentas de relacionamento.

Nunca esqueça: para lá, pra cá, com rapidez e eficiência. O usuário, feliz da vida – assim como você e sua marca -, estará o sob seu controle… ;-)

—– Você é, ou será, órfão digital —–

quinta-feira, 16 de junho de 2011 por Bruno Rodrigues Categoria: Sem categoria

Em março a web completou 22 anos – ela foi criada em 13/03/89. Também foi meu aniversário – 44 anos.

Nós todos estamos envelhecendo, querendo ou não – eu, a Web, você, que deve ter bons anos de contato com a Rede, e até mesmo os profissionais que tiveram seu primeiro contato com internet no final dos anos 90, quando saíram da faculdade. Até estes não são mais tão jovens; têm mais de trinta anos e muitos têm filhos pequenos que já nasceram em contato com a web.

Em suma, o tempo passou – para os pioneiros da internet, para os primeiros jovens profissionais da área e para os que, ainda na faculdade, eram personagens das primeiras matérias sobre a novidade da “geração online”.

A fila andou, mas é justo para quem tem DNA digital – ainda que primitivo – ficar para trás?

Aqui não me refiro à distância entre as novas e “novíssimas” gerações ou a quem não acompanha as mudanças tecnológicas, mas a conteúdo.

Dias desse, encontrei com um amigo que não via há anos, e havia ingressado no mercado de Comunicação Digital logo após o estouro da “bolha” de 2000. Muito inteligente e com tino para negócios, criou uma startup de aplicativos para mobile que desde o início é um estrondoso sucesso. Mais inserido no meio digital, impossível. Conversa vai, conversa vem, esbarramos no óbvio:

- Eu não entendo, Bruno. A sensação que eu e meus amigos da época da faculdade temos é que absolutamente tudo hoje em matéria de ações em mídias sociais e produção de conteúdo é desenvolvido para quem tem entre 18 e 25 anos. Passou daí, virou órfão digital.

Uma observação importante: a empresa dele sabe que estes órfãos digitais estão carentes de conteúdo.

- Eu tento orientar meus clientes, explico que existe uma multidão de pessoas com mais de 30 anos nas redes sociais ávidas por conteúdo, loucas para consumir. Mas o que aparece, o que gera cases, é a produção para os mais jovens. Até nós mesmos temos que nos controlar de vez em quando. É o caminho mais fácil, mas de uma burrice tremenda.

O que está acontecendo, afinal? Se os órfãos digitais têm mais dinheiro que a geração dos 20 anos, por que este abandono?

Fui conversar com outro amigo, expert em comportamento web, e não foi difícil chegar a uma conclusão – até meio lógica, se pararmos para pensar.

- Os pós-adolescentes, em especial aqueles até 25 anos, consomem imediatamente. E isso não tem nada a ver com “não pensar”, pelo contrário, é uma faixa de público bastante crítica, ácida até. Mas eles resolvem rápido, e por isso consomem em um estalar de dedos. Em contrapartida, os mais velhos pensam muito antes de consumir.

O que mais me chamou a atenção durante a conversa foi a real visão de gerações que precisamos ter, e como o difícil é deixar de lado os clichês e preconceitos.

- Quando digo que os mais velhos pensam muito, não estou falando especificamente da geração de 30 anos de agora, mas a toda geração nesta faixa de idade e que está em um estágio em que deseja construir uma vida mais sólida e tem planos mais complexos. É o profissional que está juntando dinheiro para fazer um doutorado no exterior, é a jovem que deseja comprar um apartamento, é o casal que quer ter um filho. Isso independe da década em que estamos, há muitos anos é assim.

Traduzindo: você, que tem 20 e poucos anos hoje e é privilegiado nas ações de comunicação e marketing nas mídias sociais, vai pensar diferente antes de consumir – o bom e velho “pensar duas vezes” – daqui a dez anos. E, caso o mercado não mude, será um órfão digital.

Já parou para pensar – não importa se muito ou pouco – nisso?

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Você pode me seguir no Twitter (@brunorodrigues); no facebook estou em www.facebook.com/brunorodrigues.fb. Até lá! :-)

— Informação? Criou, tem que cuidar —

quarta-feira, 13 de abril de 2011 por Bruno Rodrigues Categoria: Sem categoria

Neste primeiro trimestre de 2011 centrei minha produção de textos para a ‘Wide’ e a ‘Webinsider’ (ver abaixo) na seriedade com que precisamos cuidar da informação que é produzida, em especial nas mídias sociais.

Será que vemos este assunto como prioridade?

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A informação fora (do seu) controle

Há tempos a informação libertou-se das amarras dos sites e portais, e bem sabemos que foi muito saudável para a comunicação digital. Hoje, a informação anda por todo o canto: elaborada por profissionais, criada por usuários, replicada por todos nós. Tudo isso é maravilhoso. Tantos foram os horizontes abertos que alguns nem sabemos até onde se estendem. A informação foi pulverizada, e isso foi bom, muito bom, e não há o que temer.

Mas há do que cuidar, contudo, e é da própria informação.

Quando uma informação é elaborada dentro de um bom processo de gestão de conteúdo, ela é construída, checada, lapidada e publicada. Quando a mídia é impressa ou o ambiente é digital e próprio (site, portal, fórum), a administração torna-se possível, já que a gestão é completa.

E fora dos domínios das marcas?

Quem pensa que falo, aqui, de atividades que já são default no mercado, ou seja, do monitoramento do que se diz sobre uma marca na web, está enganado.

Falo da responsabilidade de quem produz conteúdo cuidar da informação que foi produzida e lançada ao vento.

O Marketing de Conteúdo inicia-se pela noção de que informação é um bem, e por mais que isso pareça um lugar-comum, percebo que algumas empresas só utilizam a frase para compor apresentações, e não como um mantra a ser repetido todo dia.

Nenhuma montadora vê um automóvel como seu produto final. É preciso criar recursos para que ele carregue a marca intacta por anos a fio, por isso tantos cuidados e serviços que são oferecidos (pagos ou não).

Nada disso não é novidade – contudo, quando falamos de informação, não é assim que pensamos e agimos.

Infelizmente, produzida a informação, missão cumprida. A próxima, por favor.

É como se uma informação não carregasse a marca.

No Facebook, uma empresa responde em um determinado dia que não existe assistência técnica para seus produtos em Caxias do Sul. É um ‘detalhe’, visto que a marca possui uma rede de quase mil postos de atendimento.

Seis meses depois cria-se um representante da marca na cidade. No site da empresa, a informação foi alterada. No Facebook? Nada é dito, afinal a ‘questão’ Caxias do Sul foi apenas uma pergunta, a esta altura esquecida no histórico de contato com o cliente.

Quem iria se lembrar de avisar sobre uma ‘novidade’ tão pequena?

‘Rede social não é para isso’, afirmam os desinformados. Hoje – e vale reler o primeiro parágrafo deste texto – cada vez mais usuários não vão aos sites. Dependendo da situação, o contato online de clientes é via Orkut, Facebook, Twitter. E para por aí.

Ou seja, está claro que o tema, aqui, não é relações públicas, ferramenta já utilizada com maestria para monitorar marcas nas mídias sociais.

Falo de Gestão da Informação Digital.

É tarefa dos profissionais que lidam com a marca acompanhar a vida útil de uma informação. Rastreá-la após seu ‘lançamento’, garantir sua integridade, aparar arestas quando possíveis ruídos venham a ameaçá-la.

Mais uma vez, não é uma questão de relacionamento ou mesmo jurídica – aqui o foco é manter a mensagem intacta para que ela chegue perfeita ao receptor, no mesmo formato que foi gerado pela fonte.

O relacionamento e as possíveis ações jurídicas vêm depois; as ações de gestão da informação podem, muitas vezes, reduzir – e muito – problemas posteriores em Direito Digital ou na relação com usuários.

A gestão é anterior, para minimizar problemas que vêm depois, estes sim inevitáveis.

Ações de Marketing de Conteúdo devem fazer parte da manutenção evolutiva de qualquer projeto digital, e a Gestão da Informação Digital é apenas uma delas.

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Cuidar da informação é fortalecer o relacionamento

Se a base mais forte do marketing de conteúdo é gerir a informação além das fronteiras de um site, então parem as máquinas. Esta preocupação não existe nas mídias sociais. Postou no facebook, a fila andou.

Mudou uma informação? A anterior, velha e publicada, ficou lá, como uma armadilha, pronta para quem acabou de aderir aos grupos acessar uma informação ultrapassada – e, muitas vezes, errada. ‘É assim’, dizem.

Como ‘é assim’? Hoje temos recursos que possibilitam cuidar da informação e refinar seu consumo para evitar ruídos que outras mídias e situações são incapazes, por natureza, de contornar.

Não entendam estes recursos como ‘ferramentas’, mas sim como a mais banal característica das mídias sociais: tanto o cliente como a marca podem interferir no conteúdo. Por isso, o profissional que a veicula pode tudo. O problema é que hoje não se faz nada neste sentido, mesmo o céu sendo o limite.

Há anos ministro treinamentos em conteúdo online e desde o início repito incessantemente que é preciso gostar muito de lidar com a informação – pura e simples – antes de começar a trabalhar na área. Redigir textos é a questão menos importante nesta equação. No contexto da mídia digital, a prioridade é a forma como a informação chega ao receptor, ao usuário, não importa o seu formato.

Ao longo deste tempo consegui preparar a maioria de meus alunos para realidades que, desde então, vêm se sucedendo no âmbito do conteúdo para a mídia digital. Para alguns, contudo, nada disso adianta: lidar com conteúdo online é redigir textos, publicá-los e recomeçar a tarefa.

Por isso, eu ainda – apenas ainda – entendo quando muitos encaram o que chamo de ‘cuidadoria’ de conteúdo em mídias sociais como dispensável, um pormenor ou então uma realidade que ‘é assim’. No universo do marketing de conteúdo, contudo, perseguir a informação e cuidar dela aonde quer que for é obrigação e sinal de inteligência e bom senso.

Assim, esqueça profissionais que se veem apenas como redatores, arquitetos da informação, analistas de mídias sociais ou especialistas em SEO. Todas estas são atividades que têm como função para aprimorar os sistemas de informação e torná-los mais organizados, persuasivos, visíveis ao usuário – o que todos nós estamos carecas de saber.

Estas são atividades essenciais, sim, mas falo aqui de profissionais que vão além do kit básico: eles têm responsabilidade pela informação e por onde ela anda, seja em comentários de blogs, redes sociais ou microblogs. Estes profissionais perseguem a informação, não a perdem de vista, rastreiam seu desdobramento, a atualizam – seja onde for – e, mais do que tudo, reviram a web do avesso para não perder de vista o elo principal que une informação e usuário: o relacionamento.

Voltamos ao início: se marketing de conteúdo é gerir a informação além das fronteiras de um site, então é certo que cuidar da informação é a base do relacionamento.

Você está preparado para isso como profissional? Será, mesmo? Ou ficaremos criando eternamente mais itens para o kit básico sem focar no principal: realmente usar a informação como contato transformador, constante, eficaz? Aquela que gera ROI – e não reclame dos engravatados que esperam que conteúdo produza resultados palpáveis, eles estão cobertos de razão.

Vamos ampliar os horizontes. Nosso kit básico de ferramentas precisa de um upgrade – fora da caixa.

—– Entrevistas & textos —–

domingo, 19 de setembro de 2010 por Bruno Rodrigues Categoria: Sem categoria

Cinco ótimas entrevistas que fizeram comigo ao longo de 2009 e 2010: a primeira em vídeo para o iMasters – feita pela amiga Ana Erthal -, a segunda para a revista especial de 25 anos do grupo  ‘Folha Dirigida’ – aqui, na íntegra -, e as três últimas para os blogs ‘Mídiaboom’, ‘Vogg’ e ‘Publiminas’.

Além disso, publico aqui dois textos que me deram muito prazer em produzir e que saíram na ‘Webinsider’ e na ‘Wide’ (ex-‘Webdesign’): ‘O que aprendi em 15 anos‘ e ‘O retorno da palavra‘.

E vamos em frente que agora vem meu terceiro livro por aí! ;-)

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[[[ iMasters ]]]

Cartilha de Redação Web: uma enorme contribuição para a criação de um padrão nacional de redação

Por Ana Erthal

Desde 2001, o governo brasileiro vem fazendo esforços para criar padrões para a internet, numa tentativa de aproximar e estabelecer uma comunicação mais direta com a população.

Este ano foi lançada a Cartilha de Redação Web, um passo de suma importância para os Padrões Brasil e-Gov, que faz com que o nosso país esteja numa lista curtíssima de países que tiveram a mesma iniciativa: Estados Unidos, Austrália, Nova Zelândia e Canadá.

O responsável pela criação e desenvolvimento da Cartilha de Redação Web foi o pioneiro em webwriting no Brasil, o professor Bruno Rodrigues, autor de livros e centenas de artigos sobre conteúdo online. “Tudo foi pensado a partir de boas práticas do mercado, passou pela revisão minuciosa do governo e ainda esteve durante um mês em consultoria pública, para que todo cidadão pudesse contribuir”.

Nesta entrevista concedida ao iMasters, e feita por mim, Bruno conta todos os detalhes desse importante passo para o conteúdo digital.

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[[[ Folha Dirigida – 25 Anos ]]]

Como as diversas ferramentas existentes na internet podem ajudar na interação entre empresa e consumidor?

Aproximando as marcas de seu público – mas é preciso que as empresas estejam preparadas para interagir com seus consumidores nas mídias sociais. Uma pergunta feita no Twitter que fica sem resposta não só prejudica a imagem de uma corporação, como funciona como viral em sentido oposto: em questão de minutos o ’silêncio’ de uma empresa se transforma em um fato negativo que irá se espalhar pelas mídias sociais (até porque elas estão cada vez mais integradas). Além disso, é sempre bom lembrar que tudo o que há na web é ferramenta de relacionamento, começando pelo site institucional da empresa; é bom não esquecer dele!

No caso de empresas de comunicação que possuem jornal impresso e internet, como a Folha Dirigida, o conteúdo da internet deve se limitar ao que é divulgado no site, com algumas exceções? Ou deve ser bem diferente e muito mais amplo?

Há bastante tempo que é regra um veículo de comunicação online oferecer na web bem mais do que está disponível em papel, mas desde o ano passado – 2009 foi um ano fundamental para a história do Jornalismo – que a questão ficou mais complexa: é fato consumado que é preciso lucrar com o trabalho que há para elaborar conteúdo exclusivo. Passou o momento da novidade, em que a estratégia era chamar atenção para os sites noticiosos. Que modelo de negócios irá resolver este ‘livre consumo’ de informação? Cada veículo cobraria por seu conteúdo, ou apenas parte dele? Neste aspecto, 2011 será um ano fundamental, a começar pelo exemplo do ‘The New York Times’, que iniciará a cobrança de seu conteúdo. É preciso observar o comportamento do público, que já rejeitou este modelo em meados da última década, e os veículos online recuaram. É um equilíbrio difícil, em que a intenção e o desejo financeiro misturam-se com a possibilidade de rejeição e, sempre, o imprevisto.

Foruns e Chats também são ferramentas de comunicação entre os consumidores e entre empresa e consumidor. Mesmo com as novas ferramentas, ainda há espaço para estes itens na internet?

Chats, sim; fóruns, depende. Os chats começam a se transformar em regra em sites de serviço e produtos. O consumidor quer soluções no exato momento em que os problemas surgem. E não deveria ser assim? Se há ferramentas para isso, por que não? Quanto a fóruns, é preciso que exista permanentemente nestes ambientes alguém que vá transformando ideias, opiniões e informações em conhecimento para a empresa. Este gestor da informação e do conhecimento deve elaborar relatórios constantes a partir do que é discutido pelos participantes, e aí o ganho é enorme para as empresas. Mas se os fóruns existem com o raciocínio de ‘playgrounds’ abandonados, onde ninguém ouve o que é dito e nada é aproveitado, então esqueça.

Na Folha Dirigida, realizamos salas de Chat entre professor e assinantes para resolução de dúvidas sobre concursos. No site da Dell, o Chat é utilizado para dúvidas e aquisição de produtos. Como tem sido a utilização de Chat na internet atualmente? Os exemplos citados anteriormente são poucos perto da infinidade da internet?

Em ambientes de aprendizagem a distância, seja ele qual for, o chat é uma ferramenta essencial, não se trabalha sem – isso não só para quem aprende, mas também para quem ensina. O chat foi um pouco esquecido no período 2003/2008, em que houve o ‘boom’ das mídias sociais, era como se esta ferramenta estivesse ultrapassada. Mas, é claro, percebeu-se depois que todas as ferramentas de relacionamento web se complementam, todas são úteis, e o poder de fogo da cada uma delas aumenta exponencialmente se você as utiliza em conjunto. Muitas empresas já usam o chat como ferramenta permanente de atendimento, e já vejo sua utilização como regra.

Como deve ser o investimento das empresas com relação a melhorias e ampliação de serviços?

É preciso olhar com cuidado para o que é oferecido na web. Nem toda ferramenta, recurso ou ambiente que surge pode ser abraçado imediatamente como solução – muitas são, mas nem sempre a solução vem apenas com sua utilização. Estamos em um momento em que o mercado ja está bem mais maduro do que há cinco, seis anos. Quando uma novidade em relacionamento online surge na mídia ou é adotada pelos fornecedores, é porque já foi dissecada e seus resultados cuidadosamente estudados. Em suma, fique de olhos abertos, não veja nada com desdém ou preconceito, mas abrace as novas ideias com cuidado.

Comente sobre o crescimento da internet para as empresas, principalmente com relação às diversas possibilidades de serviços:

A aproximação dos públicos com as marcas e empresas nos traz algo inédito, fantástico. É possível ouvir em questões de minutos ou poucas horas o que o consumidor acha de um produto ou serviço. E quem está disposto a vivenciar esta troca irá se tornar uma empresa de ponta nos próximos anos, tenha certeza. Muitos já fizeram isso e estão colhendo frutos. A atitude de ouvir, mudar, transformar e retornar para o consumidor esta ‘mudança de pele’ é o que há de mais fantástico ao utilizar a web para criar laços e testar uma marca. Mas é preciso coragem, sem dúvida!

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[[[ Midiaboom ]]]

Entrevista com Bruno Rodrigues – O Fazer do Webwriting

Vale a pena conferir o que tem a dizer uma das principais personalidades do webwriting no Brasil. Bruno Rodrigues foi contratado pelo Governo para desenvolver a “Cartilha de Redação Web”, um “padrão” para a escrita na web brasileira, disponível gratuitamente desde junho passado. Seu pioneirismo no assunto também se mostrou ao lançar, em 2000, o primeiro livro em português e terceiro no mundo sobre conteúdo on-line, “Webwriting – Pensando o texto para mídia digital”, e, em 2006, uma continuação, “Webwriting – Redação & Informação para a web”, ambos com edições esgotadas. Eventualmente, atualiza seu site/blog, mais regularmente, escreve a coluna “Webwriting” para o Webinsider, e mais frequentemente, interage pelo seu Twitter. Entre outras atividades, também ministra treinamentos in-company e cursos presenciais e a distancia, sempre relacionados ao que mais conhece, webwriting e arquitetura da informação.

1) Quais as principais diferenças entre o fazer do webwriting de quando você iniciou – em 1995 – e o atual?

Naquela época o foco era apenas o estudo do comportamento do *texto* na mídia digital, em especial desde que Jakob Nielsen, ícone da Usabilidade, publicou o resultado de sua pesquisa sobre o assunto, em março de 1997. Desde então, o webwriting ampliou muito seu campo de ação. O que importa, hoje, é comportamento de todos os elementos da informação na mídia digital: fotografia, ícone, vídeo, infográfico, áudio – e também o texto, que é visto como mais um entre os vários elementos da informação. É ainda o principal, mas é visto como mais um.

2) O que é urgente melhorar na comunicação on-line atual, especialmente no que tange ao webwriting e ao leitor cada vez mais fugaz? Por que desenvolver um “padrão”, criando, assim, a “Cartilha”?

Abrir espaço para a expressão do cidadão é urgente, e muitos órgãos do Governo já têm criado boas experiências com ótimo resultado, e é apenas o início. O trabalho em mídias sociais não é uma área estranha à esfera governamental, tenha certeza – em breve teremos bons cases de sucesso.

Sobre desenvolver um padrão em webwriting é uma iniciativa louvável do Governo Eletrônico (e-Gov). O objetivo é melhorar a comunicação digital do país com os cidadãos. Somos pioneiros: apenas Estados Unidos, Canadá, Austrália e Nova Zelândia desenvolveram iniciativas contínuas e consistentes neste sentido, e a ‘Cartilha de Redação Web’, o padrão brasileiro de redação para a web, foi o primeiro passo na criação de um conjunto de padrões, do qual já faz parte, inclusive, a Cartilha de Usabilidade.

A ‘Cartilha de Redação Web’, assim como as outras, contém um conjunto de boas práticas, não são regras. É como o ‘sumo’ de anos de boas experiências comprovadas na área.

Assim, o Governo Federal não quer impor nada, pelo contrário. O que se quis, desde o início, foi que as recomendações fossem adotadas espontaneamente, e para isso era preciso que a ‘Cartilha de Redação Web’ fosse reconhecida como um bom trabalho para se tornar um padrão, de fato.

Felizmente isso tem acontecido de forma surpreendente desde o lançamento, no início do mês passado.

3) Como surgiu o convite para a produção da “Cartilha de Redação Web”? Houve concorrência? Em resumo, como foi o processo, desde escolha do autor – você – e equipe envolvida, passando pela elaboração e preparação, até a versal final?

A equipe do e-Gov pesquisou muito sobre meu trabalho antes de iniciar todo o processo de contratação. O fato de meu trabalho ser pioneiro no Brasil, de eu ser citado no verbete ‘webwriting’ do ‘Dicionário de Comunicação’, de ter prestado consultaria e treinados equipes em quase quarenta empresas e instituições – muitas governamentais – ao longo de uma década e ter escrito dois livros reconhecidos pela área acadêmica, tudo isso pesou muito nesta escolha. Pude constatar claramente que, no momento de ser escolhido para um trabalho de extrema relevância como esse, ter um blog especializado ou uma coluna na web ainda é muito, muito pouco. Mais que um reconhecimento, foi um alerta que serve para todo o mercado.

Fui contratado por ‘notório saber’, processo que demorou quase nove meses para ser concluído. Primeiro, a equipe precisou comprovar que esta categoria de contratação realmente se aplicava ao meu caso, o que demandou algum tempo. Depois, foi a minha vez, ou seja, precisei reunir toda minha produção impressa e digital na área em quinze anos, de livros a manuais, de cartilhas a colunas em revistas, e enviar tudo para Brasília. Além disso, foram solicitadas cartas de comprovação de vários clientes para os quais prestei serviços.

Desde meu primeiro contato com o Governo Eletrônico, em dezembro de 2008, até o evento de lançamento da ‘Cartilha de Redação Web’ em Brasília, há duas semanas, para 400 profissionais do Poder Executivo, passou-se um ano e oito meses. Foi um longo caminho.

Quanto ao processo de elaboração da ‘Cartilha’, ele foi trabalhoso, e tive a imensa preocupação de peneirar toda e qualquer dica que não tivesse sido testada ou comprovada ao longo de vinte anos de existência da web e uma década de relação online governo/cidadão.

Para começar, qualquer tentativa de ensinar a escrever ‘diferente’ para a web foi limada, assim como esclareci muito bem qualquer associação imediata entre webwriting e jornalismo online, já que a maioria das informações dos sites governamentais não é noticiosa, e sim institucional ou sobre serviços.

Depois, pesquisei mais de 700 sites em português, inglês, espanhol e francês ao longo de dois meses para dissecar cada detalhe do que já foi feito lá fora, do bom ao ruim. E, é claro, fiz uma radiografia profunda de cada um dos sites governamentais da esfera pública federal brasileira. Aí, para costurar toda esta pesquisa, coloquei para trabalhar meu olhar, minha experiência.

Perdi a conta de quantas vezes revisei o material, de quantas vezes o texto foi e voltou do e-Gov, de quantos itens foram incluídos e retirados da ‘Cartilha’, inclusive por conta do período de consulta pública, em que qualquer brasileiro podia dar sugestões e criticar. Mas quem dava o tom era eu, todo o tempo, e essa liberdade foi fundamental.

4) Quais as maiores oportunidades surgidas por meio da “Cartilha” – que já foi enorme – e qual o peso e responsabilidade de ser o principal responsável pela sua confecção?

Oportunidades têm surgido, sim, mas o que ficou foi o orgulho. Impossível, em um momento como o de Brasília, frente a frente com centenas de pessoas que foram conhecer o trabalho final, você não ter a consciência de fez algo de importante para o país, de se sentir 100% brasileiro. Quando, ao final da primeira manhã (foram dois dias), saí do auditório, estava muito orgulhoso. Só me lembrava de uma frase twittada há algumas semanas pelo Fábio Moon, jovem cartunista brasileiro com muitos trabalhos de destaque no exterior e que há um mês voltou de uma participação no London Literature Festival: “Agora, é preciso celebrar as conquistas. Em voz alta, com o orgulho de quem sabe o trabalho que dá viver essa vida com intensidade”.

5) Com uma demanda para produção de conteúdo – com qualidade – na comunicação on-line, a cada dia mais crescente, em vários setores, por que seus livros não têm tiragem regular, enquanto borbulham lançamentos de livros ligados à web e comunicação, especialmente a digital?

Webwriting ainda é um pequeno nicho dentro de Comunicação Digital. Mas meu terceiro livro, a ser lançado no início de 2011 (seria no final deste ano, mas tive que adiar por conta da ‘Cartilha’), terá tiragem maior.

6) Quais suas principais recomendações didáticas para as pessoas que estão começando ou que pretendem começar a produzir conteúdo profissionalmente, principalmente para a web?

Entendam que texto é algo secundário no primeiro contato de um usuário em um site – e por isso temos que trabalhá-lo, antes de tudo, como um elemento visual na página, uma ‘marca visual’. Só depois o usuário irá prestar atenção ao que está escrito. É impactante, mas é assim que as coisas funcionam.

7) Como você vê a relação das empresas (conteúdo em sites e blogs corporativos, institucionais e profissionais) com as mídias sociais – especialmente Twitter – e com posicionamento nos buscadores (SEO)? Os profissionais e as empresas dão a devida atenção à produção de conteúdo, e ainda, quanto à redação para os buscadores em contrapartida ao fator humano?

Cada vez mais as empresas se preocupam com SEO, por exemplo, mas há muita informação descartável sendo produzida nesta área, e muitos especialistas surgem da noite por dia – já que é um conhecimento disponível na própria web, ao alcance de qualquer um. Torna-se expert instantâneo quem tem mais tempo para pesquisar o assunto, o que não necessariamente é sinônimo de qualidade ou benéfico para o mercado. Empresas como ‘Mestre SEO’ e profissionais como Paulo Rodrigo Teixeira fazem a diferença.

8) A grosso modo, o que diferencia a redação para a web dos demais tipos de escrita e redação? Com uma leitura digital naturalmente fugaz e com o crescimento do mercado de e-books e e-readers, quais as mudanças e perspectivas para o webwriting?

Na escrita para a web, há maior relação entre texto e as características tecnológicas da mídia. Além disso, o design tem uma grande influência na absorção do conteúdo.

Para o futuro próximo, eu vejo ações de webwriting em transmídia, ebooks de terceira geração e (sempre) mobile.

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[[[ Vogg ]]]

BLOG DA EMPRESA DE CONTEÚDO ‘VOGG’, DO RIO DE JANEIRO

Bruno Rodrigues e o “conteúdo totalflex”

A tecnologia e as novas formas de consumo de conteúdo que ela possibilita exercem uma influência incontestável sobre a atuação dos profissionais de Comunicação. Nossa atividade não é mais regida pela lógica do jornalismo tradicional de redação. E hoje, além dos usuários ativos que produzem muito conteúdo e saem distribuindo através de diversas plataformas, nós, comunicadores por formação, estamos disputando mercado com profissionais de outras áreas.

E para comentar sobre esse assunto que deixa muita gente por aí de cabelo em pé, conversamos com o prestigiado Bruno Rodrigues, Consultor de Informação e Comunicação Digital e autor de Webwriting – Redação & Informação para a Web, cuja nova edição está prevista para sair em breve. Em um papo rápido, Bruno coloca sua opinião sobre como se deve produzir conteúdo atualmente e apresenta suas expectativas para o futuro da Comunicação na Era Digital.

Bruno_Rodrigues[1] Como as novas formas de consumo de conteúdo influenciam na maneira de produzir?
Hoje, pensar e produzir conteúdo é criar materiais que não criem amarras com uma mídia específica, mas que ao mesmo tempo seja possível trabalhá-los em várias plataformas. É o que chamo de ‘conteúdo totalflex’. Nunca, no processo de criação de conteúdo, houve tanta necessidade de aliar imaginação e conhecimento às limitações e possibilidades tecnológicas. É uma tarefa que, obviamente, não é para qualquer um.

Com base nas mudanças na distribuição e produção de conteúdo, quais as suas expectativas para a Comunicação e para a atuação dos profissionais da área?
Os profissionais desta área estão próximos da desvantagem. Como este mercado supervaloriza a prática, o conhecimento é visto como necessidade secundária. Por isso, profissionais de outras áreas e que se fiam mais pelo que aprendem na Academia, como bibliotecários, analistas de sistemas e engenheiros, estão preenchendo vagas que poderiam ser de jornalistas e publicitários. Mas o jogo nem está na metade – ainda dá tempo para virar o placar.

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[[[ Publiminas ]]]

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Entrevista com Bruno Rodrigues, pioneiro em webwriting no Brasil

João Marcelo (@jonesmeira), redator web da Solution e colaborador do blog, entrevistou Bruno Rodrigues, pioneiro em webwriting no Brasil, um dos maiores especialistas em informação para a mídia digital da América Latina, e o terceiro a escrever um livro sobre o assunto no mundo (Webwriting – Redação e informação para a Web). O começo de tudo, redes sociais, novas tecnologias e até uma cutucada no escritor português, José Saramago. Confira:

1 – De onde nasceu seu interesse pela internet e pelo webwriting, em tempos onde os dois ainda engatinhavam?

Sempre fui muito ligado à tecnologia e comunicação, mas em meados dos anos 80, quando fiz vestibular, não havia como mesclar estas duas atividades e transformá-las em uma profissão. O microcomputador tinha acabado de ser criado, e a web só nasceria no final daquela década. Meu teste vocacional apontou informática e jornalismo, e cheguei a pensar: ‘o que vou fazer, escrever manuais para computadores?’. A bem da verdade, era só uma questão de tempo, meu grande aliado.

Quando me conectei à internet pela primeira vez, em 1995, pensei: ‘como profissional de comunicação, como posso atuar nesta área?’. E, é claro, foquei em redação. Na época, participava de duas listas de discussão sobre web e começaram a abordar o assunto ‘texto na internet’. Ninguém ali, óbvio, tinha experiência, mas todos estavam começando a tentar trabalhos na área – eu era um deles. Como havia conseguido trabalho como freelancer em assessoria de imprensa para um provedor de acesso, um dos sócios da empresa me ofereceu a oportunidade de escrever textos para os sites dos clientes. Como já havia reunido material razoável sobre o assunto, aceitei o desafio – foi assim que comecei.

2 – Algumas pessoas pensam que o webwriting apenas cria textos para a web. Quais as principais funções desse profissional?

Lidar com os vários formatos da informação no ambiente digital: foto, ícone, vídeo, tabela, áudio, gráfico e, é claro, texto. O bom webwriter, por mais que receba uma informação em formato texto, deve raciocinar: ’será que, nesta camada do site, é em texto a melhor forma de tratar a informação?’. Às vezes sim – em camadas mais superficiais -, às vezes não – em camadas de detalhamento. Além disso, é preciso entender que a ‘persona’ redator do webwriter só deve atuar quando necessário. Costumo dizer que, na verdade, quando o webwriter lida com texto, ele é ‘gestor da informação digital’, e não redator. O redator é amante da frase, o gestor da informação digital é amante da palavra, que é a chave para tudo, hoje em dia, na internet. A palavra é sinalizador, ponte, definição, auxílio – mas passa bem longe da função de expressão, que é o que uma frase procura.

3 – Com as novas tecnologias, as milhões de possibilidades que nascem todos os dias na rede, como fica a formação e a qualificação do webwriting?

O webwriter é o profissional que lida com a informação no meio digital, e ponto. Atrelar esta função ao jornalista, à beira da segunda década do século XXI, é uma visão muito limitada da atividade e das oportunidades de mercado. Existe uma quantidade enorme de profissionais de Letras e Biblioteconomia atuando na área no mundo inteiro, por exemplo. Claro que o profissional que lida com texto supera outro que não tenha intimidade com a escrita, mas é apenas o ponto zero para a qualificação de um profissional. A verdade é que temos, atualmente, até engenheiros e analistas de sistemas que se destacam na área. Esta mistura de conhecimentos é fascinante – e eficaz, não duvide.

4 – Qual a sua opinião sobre o conteúdo – profissional ou amador – gerado na/para web, e a forma como as pessoas estão consumindo informação na rede?

Muito do que se produz na web é lixo, mas sabemos que existe muito material elaborado diariamente em blogs que possui um nível excepcional, por exemplo. Já sabemos distinguir o joio do trigo, e não vejo isso mais como algo crítico para a credibilidade da web, como acontecia há alguns anos.

O consumo de informação na Rede é algo bastante complexo. Informações absorvidas de uma página web competem com outros aplicativos abertos no computador, como comunicadores instantâneos, processadores de textos e planilhas, só para dar um exemplo. Além disso, raramente navegamos com apenas uma página aberta, revezamos entre outros sites e páginas de redes sociais, como facebook e twitter. É uma competição ferrenha entre o que chamará, de fato, a nossa atenção. A multitarefa é muito bonita na teoria, mas péssima como estímulo para o acesso a informações mais aprofundadas. O que fazemos é ficar na superfície dos sites. O ‘tesouro’ da informação, que fica em camadas subsequentes e que nos ajudará a criar conhecimento, luta para ser vista. Estudos mostram que é provável que nem a geração millemi um – que está chegando à adolescência – saberá lidar com a multitarefa e ao mesmo tempo perceber que o conhecimento não está nas primeiras camadas dos sites, e sim adiante. E é missão do webwriter e do arquiteto da informação trabalhar para isso, não é obrigação de usuário algum saber o que está perdendo.

5 – Os primeiros Kindles – leitor de publicações eletrônico da Amazon – estão chegando ao Brasil. Você acha que os jornais impressos irão acabar? Em um futuro próximo, essa pode ser uma preocupação para as editoras de livros?

Vão acabar, sim, mas não agora, nem nas próximas décadas. É notório que ainda existe uma resistência cultural de séculos para aceitar que informação digital tem a mesma validade que informação em papel. A impressão é se tem é que a informação digital se esvai no ar, para muitos é difícil aceitar que ela estará, cada vez mais, disponível em rede, acessível de qualquer lugar, a qualquer hora, sem estar acorrentada a maços de papel como livros e jornais. É como se a informação precisasse estar impressa para existir – por isso as próximas gerações ainda lerão jornais em papel e livros impressos, até virar exceção. Nada será tão radical como muitos gostariam, nem lento como alguns têm esperança. O Kindle, o Sony Reader e o Nook são os abre-alas desta era, assim como de jornais de ponta c omo El País e The New York Times e suas versões digitais.

As editoras estão fora da zona de perigo pela qual as gravadoras passaram e de onde saíram gravemente feridas. Hoje, o ponto questão é: a venda de ebooks, bem mais baratos que os de papel, poderia se sustentar como centro de um modelo de negócios? Quanto tempo demoraria para esta fase de experimentação converter-se em lucro real e constante para uma editora? Já se sabe que a voracidade da pirataria em livros digitais é infinitamente menor do que acontece com a música, mas esta seria uma fase passageira? Um grupo de rock pode sobreviver à base de shows e ignorar a troca de músicas via Rede, mas e um escritor, o que ele iria fazer para sobreviver? São questões que precisam ser resolvidas o quanto antes.

Para atrair os leitores para os ebooks, surgem novas tecnologias como os ‘vooks’, livros em que música e vídeos são inseridos em meio aos capítulos, sempre no contexto da narrativa, e com o propósito de ressaltar aspectos da história e dar mais vida a cenários, personagens ou passagens da trama. Vale a pena checar em www.vook.com.

6 – E as redes sociais? Acredita que as empresas estão caminhando para um uso consciente delas ou ainda falta muito? Pode citar exemplos?

Sim, vejo o ano que vem como definitivo para a sedimentação deste mercado. Contudo, é preciso acabar com um ruído neste mercado: a proliferação de ‘experts’ em redes sociais. Um expert é aquele que tem experiência o bastante em uma área para se intitular com tal, e estamos falando em um mercado (mídias sociais) muito novo, de cinco, seis anos. Conheço poucos profissionais que, em tão pouco tempo, já merecem este título. A multiplicação de ‘expert instantâneos’ é prejudicial ao mercado, porque eles acabam por criar estratégias equivocadas para os clientes, e os resultados desastrosos mancham a imagem dos verdadeiros especialistas. Profissionais como Cláudio Torres, Nino Carvalho, Roberto Cassano e Juliano Spyer não merecem isso.

Poderia dar exemplo de grandes empresas e cases famosos em mídias sociais, mas prefiro citar o trabalho de ‘formiguinha’ que editoras brasileiras como Intrínseca e Ediouro estão realizando com seus leitores. A Intrínseca, em especial, tem sido feliz em agir de maneira certa e contar de imediato com o apoio e o trabalho espontâneo de seu público. É bonito de se ver.

7 – Sobre o Twitter, José Saramago disse: “Os tais 140 caracteres reflectem algo que já conhecíamos: a tendência para o monossílabo como forma de comunicação. De degrau em degrau, vamos descendo até o grunhido”. O que você acha dessa afirmação do escritor português?

Péssima. As gerações que estão à frente das nossas têm obrigação de facilitar o acesso ao futuro, e não embotá-lo. José Saramago deveria estimular o uso de novas tecnologias que facilitam a produção de literatura em novas plataformas, e não cobri-las de preconceito. Se procurasse conhecer mais o twitter, saberia que a limitação de 140 caracteres é uma questão de estilo, assim como acontece com a produção de textos para qualquer outra mídia. Caso eu encarasse escrita da mesma forma que ele critica os ‘grunhidos’ do twitter, poderia tê-lo taxado de ‘verborrágico’, já que ele tem costume de não usar pontuação em suas obras.

8 – Para fechar, dê algumas dicas para os profissionais que têm interesse pelo webwriting ou estão começando na área.

O principal é entender que webwriting é mais uma ferramenta dentro do universo do trabalho da informação digital. E, por isso, aprender a lidar com arquitetura da informação, otimização de sistemas de busca, direito digital, acessibilidade e tantos outros assuntos. Mas o principal é perceber que o mercado de trabalho não está nas redações de jornais, mas em áreas como sites de comércio eletrônico e intranets de empresas, por exemplo – aí estão os bons salários.

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O que aprendi em quinze anos

Por Bruno Rodrigues

Para boa parte dos leitores da Webinsider, minha carreira pode parecer estranha e atípica. Vivi refém do mundo offline ao longo de sete anos de vida profissional. O meio online simplesmente não existia. Passei a acontecer, de fato, quando peguei o bonde da Comunicação Digital – e do início, o que foi um privilégio, mas um baita desafio.

Não existe melhor maneira de comemorar do que dividir o que aprendi nestes quinze anos. Listo lições aprendidas que se me são válidas hoje, e é provável que algumas também sejam para você.

Especialize-se

Ser generalista só vale na teoria, na prática você só é procurado quando faz algo diferente. Em Comunicação Digital, há diversas áreas que foram sendo definidas ao longo do tempo: webdesign, webwriting, arquitetura da informação, marketing digital.

Quando uma empresa precisa de alguém, não procura um profissional ‘de Comunicação Digital’, mas um perfil determinado. É diferente do tempo que vivi na virada para os anos 90, quando você dizia que era jornalista ou publicitário e estava feito.

Hoje, o trabalho é mais específico, cada profissional é visto como uma experiência única, eu quero você, não há cópia sua em cada esquina. Fulano é chamado para uma vaga mais pelo que pensa e produz na web do que necessariamente tem de experiência ‘empresarial’, e isso é uma benção. Sempre me apresentei como alguém que lidava como informação online, seja como webwriter ou arquiteto da informação, e consegui ser visto como um profissional diferenciado. Tivesse me apresentado como um canivete suíço estaria andando em círculos até hoje.

Produza

Não é novidade que a web, além de mercado de trabalho, é incubadora de talentos. O que significa que você pode sair do total anonimato e diferenciar-se através da visão do que é feito em sua área de atuação.

Uma multidão de blogueiros está aí para comprovar que, colocando a cara a tapa e o talento à vista, um profissional consegue se destacar. Atenção, contudo: nos últimos tempos, há uma enxurrada de profissionais, em especial os ligados às mídias sociais, que se baseando apenas no que produzem na web, vendem-se como especialistas. É preciso existir um equilíbrio entre o conhecimento adquirido e exposto e o trabalho que se executa no dia-a-dia. Como alguém pode querer se mostrar como um especialista se possui apenas três anos de experiência e vivência em empresas pequenas e médias com clientes idem? Eu, por exemplo, só comecei me apresentar como especialista quando já tinha atendido mais de 20 clientes de grande porte e publicado dois livros. Se não é assim, é propaganda enganosa.

Comprometa-se

Se você abraçou uma atividade determinada dentro de Comunicação Digital, saiba que, automaticamente, você virou porta-voz. O que significa que este mercado ainda depende, e muito, de cada um de nós para evoluir. Vejo profissionais que ingressam na área com postura de ‘então, o que vocês têm para mim?’. Meu caro, não ‘temos’ nada para ninguém, temos é que trabalhar, divulgar o que fazemos, bater de porta em porta, participar de seminários como palestrantes, organizar grupos de estudo e encontros mensais em cada canto deste país. Ainda há muito para acontecer, mas não há ninguém para fazer por nós. Por isso faço questão de tratar cada novidade que surge no mercado com respeito e dividir o que sei. Outro dia, recebi um e-mail de um profissional que queria ingressar na área. Dei dicas e sugeri que me seguisse no Twitter. Ela agradeceu, mas confessou que acha Twitter uma ‘anomalia’. Pensando assim, não se vai nem até a esquina.

E você, o que aprendeu até hoje?

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O retorno da palavra

Por Bruno Rodrigues

Passei os últimos quatro anos afirmando para os meus alunos que os tempos tinham mudado na seara do Webwriting. Que o estudo da informação para a mídia digital havia ampliado os horizontes, indo muito além da redação online.

Agora, era preciso pensar informação como algo bem mais abrangente: fotografia, ilustração, ícone, gráfico, tabela, áudio e vídeo teriam, na balança, o mesmo peso que o texto no meio digital. Afinal, era assim que o presente – e o futuro – se configurava.

Então, tudo mudou.

Como mágica, a necessidade de um relacionamento mais estreito entre as pessoas, e entre elas e informação, rearrumou as peças do tabuleiro mais uma vez. Buscar pessoas e informação virou nosso objetivo – era o fim infância da internet e havíamos passado a dominá-la, finalmente. O conceito de web participativa era a semente das mídias sociais, que germinou e transformou nossas vidas e a relação com o meio digital.

No centro da mudança, estava a palavra.

Confesso que me pegou de surpresa. Que o Google havia dominado o mundo todos já sabiam, mas que os usuários da web fossem dominar seu uso, isso muitos não esperavam – inclusive eu. As empresas logo perceberam que era prioridade nível zero estar bem rankeadas, e o SEO estourou. A intrincada tarefa de otimizar sites e blogs para os mecanismos de busca virou default para o mercado, e conhecimento essencial para os webwriters.

Mudou, também, a relação com a palavra.

Quem antes se via apenas como redator, precisou rever seus princípios. Entender a palavra como um sinalizador, muito além de um elemento de comunicação, foi a grande (e difícil, para muitos) virada. Aquele que era redator, amante da frase, precisava se ver dali em diante como um gestor da informação digital, amante da palavra.

Mas as mudanças não pararam por aí.

Quando a web havia, enfim, evoluído de um quase sempre caótico emaranhado de informações – e estávamos quase nos acostumando com isso – para um universo em vias de se tornar estruturado, as mídias sócias nos apresentaram o Twitter, apenas para reafirmar a palavra como agulha que costura a relação entre as pessoas, e entre elas e a informação. Xeque-mate.

Faço mea culpa, aqui.

Quando o Twitter surgiu, cheguei a dar algumas entrevistas duvidando que a ferramenta pudesse ser abraçada por públicos que fossem além do que chamo de “quadrilátero digital”: estudantes e professores de Comunicação Social, profissionais da área de Comunicação e Marketing Digital e geeks, é claro. Quebrei a cara – muitíssimo satisfeito, a bem da verdade!

O Twitter é a “superbonder” do relacionamento online, a liga que sedimenta de vez nosso contato. Mais uma vez, para mostrar que a palavra não tem vocação para coadjuvante, lá está ela, como recurso básico e principal da comunicação do microblog. É a palavra que dá acesso aos outros formatos, e voltamos ao início.

O texto, assim como a sua alma, a palavra, dá ao ser humano o que ele mais precisa da informação: o básico, o essencial, o principal. Por isso hoje me faço uma pergunta que não me sai da cabeça – até quando a palavra será nosso norte, nossa ferramenta primordial, nosso guia rumo ao universo da informação digital? A palavra será, mesmo, eterna?

Até ontem, não era o vídeo que ia comandar a informação? Onde foi parar a ideia de que tudo viria a partir da imagem em movimento? Agora revejo minhas conclusões, minha visão de presente, de futuro próximo.

“No início, era o verbo” – seria para sempre, então?

—– ‘Cartilha de Redação Web’ —–

terça-feira, 29 de junho de 2010 por Bruno Rodrigues Categoria: Sem categoria

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No final do ano passado fui contratado pelo Ministério do Planejamento (Governo Eletrônico) para desenvolver o padrão brasileiro de redação para a web, mais especificamente a ‘Cartilha de Redação Web’, que ficou pronta este mês e já está disponível em www.governoeletronico.gov.br (logo na primeira página ou em ‘Biblioteca’) para todo brasileiro, seja profissional, estudante, empresa, órgão do Governo, acadêmico – ou até curioso- baixar gratuitamente.

Embora seja fruto de minha dedicação de uma década ao estudo do conteúdo online, que já resultou em dois livros e a citação no ‘Dicionário da Comunicação’, tudo é fichinha perto da ‘Cartilha de Redação Web’.

Com a Cartilha, estou colaborando, em escala nacional, para disseminar um conhecimento que se confunde com minha vida profissional e que, tenho certeza, será de grande valia para quem produz conteúdo em português para a web nacional.

Mais que isso, é uma forma direta e objetiva de melhorar a maneira como os sites governamentais oferecem informações e serviços aos cidadãos – foi este, de fato, o grande motivador para a equipe do Governo Eletrônico (e-Gov) criar os ‘Padrões Brasil e-Gov’.

Quanto mais, por exemplo, as equipes dos órgãos do Governo brasileiro dominarem técnicas de redação para a web, mais clara, eficaz e simples será nossa relação com os sites da esfera pública.

Nada do que produzi para o material é teórico, cada item é reflexo de boas práticas de mais de uma década na relação conteúdo e leitor, governo e cidadão. Tudo foi pensado, checado, avaliado e revisto dezenas de vezes.

A Cartilha passou pela visão crítica do Governo Eletrônico e, ao final, foi colocada um mês em consulta pública, para que todo e qualquer brasileiro pudesse dar sua sugestão.

Um ponto fundamental: os documentos produzidos pelo e-Gov não são regras, e sim um conjunto de sugestões de como a web Brasil pode ficar ainda melhor, a começar pelos sites do próprio Governo.

Poucos são os países que realmente se preocupam com a relação com seus cidadãos via internet – Estados Unidos, Austrália, Nova Zelândia e Canadá são exceções.

Fazemos agora parte deste time.

Dizer que estamos dando um passo significativo com a criação de padrões para a web é pouco. Para a nossa relação com os governantes, é muito mais que isso, pois, a partir daí, tudo pode mudar. Para o mercado brasileiro de Comunicação Digital, é um avanço que não imaginávamos que seria feito tão cedo. Para os profissionais, é um norte, concordemos ou discordemos com as sugestões – mas é um norte.

Desta forma, conto com vocês na divulgação da Cartilha!

Muito obrigado! :-)

— Para lidar com Comunicação Digital —

quinta-feira, 24 de setembro de 2009 por Bruno Rodrigues Categoria: comunicação digital

Na maioria das vezes, nós, profissionais de Comunicação, somos até bem coerentes. Talvez porque lidemos com uma área cercada de subjetividade por todos os lados, precisamos muito bem saber o porquê de cada uma das questões que nos são apresentadas. Mas, quando entramos no terreno do ‘novo’, somos um zero à esquerda – haja incoerência.

Afinal, faz algum sentido que profissionais que lidam diariamente com imprevistos, jogo de cintura e criatividade tenham medo do novo? Caso duvide do que estou falando, então aí vai um exemplo: já virou parte do anedotário tecnológico o perfil de jornalistas que, no final dos anos 80, se agarrava à máquina de escrever em resistência ao recém-chegado computador, como se no ‘tlec-tlec’ estivesse contido o âmago da atividade jornalística, como se um texto jamais se tornasse Texto caso fosse criado em outro tipo de máquina. Era uma espécie de charme, assim como eram as redações envoltas em fumaça de cigarro. Ambos, o cigarro e a máquina de escrever, foram banidos das empresas jornalísticas, mas o que ficou – vergonha – foi mesmo o lado (lamentavelmente) antropológico da história.

Repito, haja incoerência. Pode o mesmo profissional que fez História criando ponte entre o secular Jornalismo impresso e a reportagem televisiva, há pouco mais de cinquenta anos, ainda ter receio da web, mais de uma década após sua criação? Não há mês que eu não receba um e-mail de incômodo, desprezo ou ironia de colegas de profissão que desconfiam da Comunicação Digital.

Para estes, é tudo embromação, enrolação, e não vale a pena prestar atenção ao que acontece neste mercado. A ladainha é sempre a mesma: para os resistentes, não há nada novo para aprender com a Comunicação Digital, o que se vê por aí são roupagens novas para temas antigos, apenas o meio é que muda.

Não é que concordo? A área de Comunicação sempre foi e sempre será uma área movida a novas mídias. A cada uma que surge, uma nova geração de profissionais corre para entendê-la e criar a transição entre a mídia anterior e a recém-chegada. Assim foi com o cinema, o rádio, a tevê, a web. O que pode parecer uma correria para entender a aspecto técnico de uma nova mídia é, na verdade, um movimento para tentar retrabalhar o que de fato importa: a transmissão da mensagem, a informação.

Por isso concordo que são roupagens novas para temas antigos. O que nos torna especiais é nossa capacidade de ‘reimaginar’ a mensagem e levá-la, sempre intacta, do emissor ao receptor, não importa a tecnologia e a mídia.

No rádio, era a voz; na televisão, a imagem; na web, voz, imagem, texto, navegação, interatividade e muito mais. Mais uma vez, nós criamos a ponte, e fomos bem-sucedidos.

Então, por que ainda há resistência quando falamos em e-mail marketing, redes sociais, jornalismo participativo, conteúdo gerado pelo usuário, twitter, até de blog? Não gostaria, de coração, que mais uma vez fôssemos incoerentes e que, tal qual o ‘tlec-tlec’ de vinte anos atrás, criássemos uma imagem contraditória do que realmente somos: pioneiros.

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Como em todo nicho de mercado, a Comunicação Digital pede do profissional da área atributos que também lhe são exigidos em outras áreas de trabalho – o que difere esta atividade de outras é o nível de exigência que se pede de algumas das habilidades.

Enumero abaixo três atributos que considero os mais significativos, as habilidades que representam melhor o trabalho do comunicador no mercado de mídia digital. Após tantos anos vivenciando a área, vejo nestes três itens a eficiência necessária para encarar os desafios do mercado. A eles, então:

Humildade
Não existe verdade absoluta nesta área. Como legítima filha da Informática, a internet – e, por consequência, a web – apresenta novidades tecnológicas e de comunicação a cada mês. Isso, quando não surge algo novo a cada semana – mesmo. Desta forma, é muito arriscado afirmar que uma determinada ação é *a* recomendada para se atingir um determinado objetivo. Ela é a mais adequada *naquele momento*; é possível que, pouco tempo após, surja uma nova tecnologia que transforme a anterior em antiquada. Ou pior, que a tentativa que você fez acabe se provando ineficaz. Sim, isso pode acontecer. Que fique claro que, embora a todos vendam a web como uma mídia ‘madura’, ainda há muito para descobrir, acertar e errar nesta área. Como medida de segurança para não invalidar o trabalho e o investimento do cliente, cheque o que já foi feito na área com as ferramentas que você irá utilizar. Sempre haverá o risco, mas ele será minimizado.

Curiosidade
Se você deseja ficar em dia com o que acontece neste mercado, não adianta fazer um curso a cada semestre, checar mensalmente as revistas da área e trocar esporadicamente ideias com os colegas. Este método de atualização vale para outras áreas da Comunicação, mas não em um mercado cujo conhecimento se altera em um piscar de olhos. Eleja sites e blogs nacionais e internacionais que você irá checar diariamente; inscreva-se e participe de grupos de discussão; participe de congressos e cursos online. Aproveite que os recursos para atualização nesta área estão quase todos na própria web e vá em frente.

Flexibilidade


Nunca, em nenhuma outra mídia, foi tão necessário interagir com o público para entendê-lo. É preciso, mais que realizar pesquisas, travar contato direto – se possível individual – com os jovens da geração Y, os que mais lidam com a mídia digital. Daí virá a mudança de comportamento – a *nossa* mudança de comportamento. Antes, não entendíamos o porquê de se ter um perfil no Orkut; agora, é essencial estarmos nas redes sociais para compreender este público. Celular? Vamos usá-los muito além de sua função principal. Twitter? MSN? Assine e use. Não há como lidar com a geração Y sem realizar um trabalho de imersão.

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É como um carro em alta velocidade: você, parado na calçada, tenta enxergar alguma coisa, mas pouco vê do veículo – quanto mais quem está dentro. Assim é o mercado de Comunicação Digital: por mais que você tente congelar o que acontece ao redor, nunca será possível entender 100% do que está acontecendo.

Não, de maneira alguma estou desestimulando profissionais a ingressar nesta área, pelo contrário. Meu objetivo é, sim, clarear a situação, e colocar em suas mãos a escolha de fazer parte ou não deste mercado.

Desta forma, listo abaixo pontos que você deve deixar passar em Comunicação Digital e outros em que é preciso criar um “slow motion” mental para não ficar na poeira da evolução do mercado.

— O que não merece sua atenção

Ser multidisciplinar

Esqueça. Isso é papo de área de RH: em Comunicação Digital, é preciso optar por uma área de estudo e dedicar-se a ela. Por quê? Simples: são inúmeras as possibilidades de atuação neste mercado (o que é bom), mas é impossível abarcar tudo (o que é ruim). Para atender bem os clientes, foque em um segmento, seja Desenvolvimento de Sites, Marketing de Relacionamento Online ou Redes Sociais. Só consegue lidar com ‘tudo ao mesmo tempo, agora’ quem tem muita quilometragem na área. Ou seja, especialização ainda é a palavra-chave.

Competitividade

Ser competitivo é uma coisa, achar que em Comunicação Digital as empresas se estapeiam por um cliente, é mentira deslavada. Embora o mercado não tenha a calma de uma pracinha do interior, ele está longe de ser tão selvagem quanto a disputa de uma conta de agência de publicidade. Desta forma, ainda há espaço para errar – um status que pode mudar em poucos anos. Sendo assim, experimente: ofereça serviços inovadores, crie métodos que ninguém ousou aplicar, aproxime-se do cliente de uma forma inédita. Hoje, são poucas as empresas de Comunicação Digital que fazem um bom serviço, e quem as sonda e contrata já sabe farejar aquelas que entregam um resultado final satisfatório. Aproveite.

— O que merece sua atenção

Equipe

A mistura entre autodidatas e os que têm diploma de MBA tem dado bom resultado: o nível das equipes da empresa de Comunicação Digital é de dar orgulho. Muito mais preparadas que equipes de outras áreas de Comunicação – que, às vezes, resvalam para a intuição e a criatividade e esquecem o foco no negócio do cliente -, os núcleos web já mexem com o perfil dos profissionais do mercado em geral. É um diferencial que não pode ser ignorado.

Futuro

Como adivinhar se um nicho de mercado irá estagnar? Comunicação Interna, por exemplo, teve seu ‘boom’ no final dos anos 70 e início dos 80 e depois ficou parada no tempo até se reinventar. Assessoria de Imprensa era vista como ‘prima pobre’ até poucos anos, e hoje é um segmento mais que estabelecido e acreditado. A Comunicação Digital é promissora porque mexe com uma mídia nova, simples assim. Isso significa que ainda há muito que explorar nesta área e, embora este caminho – assim como o das outras mídias – possa ser acidentado (até já foi, vide o estouro da bolha de 2000, e ainda será), as perspectivas são muito boas.

Pronto: agora está em suas mãos. Pese prós e contras e, se for a sua praia, respire fundo e vá em frente.

—– Para dizer a verdade —–

terça-feira, 18 de agosto de 2009 por Bruno Rodrigues

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(de minha coluna ‘Conteúdo Digital’ – site ‘Nós da Comunicação’)

chris_anderson Eu não gosto de Chris Anderson, mas admiro Chris Anderson. Sei que parece loucura, mas é assim. Há alguns anos, Anderson – editor da famosa revista de tecnologia ‘Wired’ – lançou o livro ‘A cauda longa’, que se tornaria um marco da virada 2.0 da web. Foi um sucesso. Ele ampliava horizontes e vaticinava: há mercado para todos na internet, dos pequenos aos grandes, basta conhecer os públicos a fundo. Adorei, e tudo o que se anunciava tornou-se verdade. Foi meu momento ‘Chris Anderson é Deus’.

Hoje, Chris Anderson me irrita. Tudo culpa – pasmem – da internet: há algumas semanas, li na businessweek.com que, pessoalmente, Anderson se acha Deus. Na matéria, confessa nunca ter tido vontade de ser editor do wired.com (para fazer uma dobradinha promissora com a revista, imaginem como seria fantástico!), deixando pasmos fãs do mundo inteiro; para ele, já basta a revista impressa. Por favor! E foi sincero quando disse que prefere mil vezes rodar o mundo dando palestras – e ganhando rios de dinheiro –, conhecendo pessoas e checando novas tecnologias a enclausurar-se em uma redação.

Por isso, não gosto de Chris Anderson, mas admiro Chris Anderson. Afinal, ele faz o que acha que tem de ser feito e segue em frente. Agora, por exemplo, ele acaba de lançar um novo livro, ‘Free’, que só não está fazendo o sucesso que merece pelo simples fato de apresentar ideias que metem medo – e como. Na obra, Anderson apenas ajuda a libertar o que o mercado mantém amordaçado faz anos no fundo do armário: o grito de liberdade que tudo quanto é bit – livro, música e filme – está louco para dar há tempos. Chris Anderson aumenta o som e anuncia: esqueçam o comércio de arquivos, eles agora são commodities. Para se ganhar dinheiro, é daí em diante. Não se controla a web nem o que trafega nela – é isso.

As ideias de Anderson são bem-vindas quando apontam caminhos ou dão esperança, como foi o caso em ‘A cauda longa’. Com ‘Free’, vem o arrepio e a dúvida de qual caminho tomar. Chris Anderson apenas diz a verdade, e isso incomoda – a mim e, pelo jeito, a uma penca de gente que agora me faz companhia.

Freud explica: se algo nos incomoda, mas não conseguimos desviar o pensamento, é porque nos faz pensar. Chris Anderson não é Chris Anderson à toa; se ele está onde está é porque é bom, e sendo bom, tem a obrigação de apontar o que é verdade na internet – e não falar apenas sobre a Rede ‘fácil’ que os ‘deslumbradinhos da web’ tanto amam.

Neste momento, coloco Anderson nas costas e faço coro: a Rede, amigos, por ser feita de pessoas e para pessoas, é confusa e imprevisível. Hoje, existem duas ferramentas universais para o exercício da democracia: o voto e a web. Há pouco mais de duas décadas, só tínhamos o voto, e dessa forma estávamos há milênios.

Por isso, não dá para, a cada nova ferramenta, movimento e ambiente que surge na web, tentar enquadrá-los e dominá-los, criando da noite para o dia seminários, workshops e livros sobre o que surgiu ontem. Se o mercado quer entender a internet e dela tirar conclusões, que se mude para a Rede, mas saiba de antemão que há o sério risco de sair de lá com as mãos abanando.

É possível lucrar com a web, mas é bom entender que se tomará uma rasteira a cada esquina. Se a Amazon.com acabou escorregando na casca de banana por apagar, sem autorização, arquivos de livros de George Orwell de Kindles de milhares de leitores dos Estados Unidos (questão de direitos autorais), por que não os outros? Lidar com comércio na web é como tentar adivinhar o que há após a virada de esquina. Se não há como adivinhar, então entendam que o chão se move o tempo todo.

Há mais de dez anos vivo nessa areia movediça, tentando compreender o que vejo na web. Às vezes, passam-se meses antes de eu estar pronto para escrever algo consistente sobre um assunto. Em meus cursos, faço apostas sobre os rumos da web na frente dos alunos, mas evito a futurologia. Quando escrevo um livro – como neste momento –, faço das tripas coração para falar apenas do que é sólido, e mesmo assim o chão me traga de vez em quando.

Chris Anderson e tantos outros, em maior ou menor escala – e me incluo nesse grupo –, tentam fazer o que chamo de ‘internet do bem’, ou seja, (re)lembrar a todos que a web é feita para duas coisas: 1) encurtar distâncias e 2) aproximar pessoas. Todo o resto vem daí. Se esse for o nosso norte, há uma boa possibilidade de acertarmos o que se esconde na próxima esquina.

Às vezes, fazer ‘internet do bem’ incomoda, perturba, irrita até. Ah, sim, e nos deslumbra de vez em quando. Não por acaso, é idêntico a quando nos relacionamos com qualquer pessoa, seja parente, amigo ou colega de trabalho. Fascinante e perturbador ao mesmo tempo.

Hum… acho que vou deixar Chris Anderson em paz – pelo menos por enquanto.