— Entrevistas —

segunda-feira, 16 de novembro de 2009 por Bruno Rodrigues Categoria: Sem categoria

Duas boas entrevistas que dei nos últimos dias eu transcrevo aqui – ambas  ótimas, com perguntas bem inteligentes e que respondi com prazer!

BLOG DA EMPRESA DE CONTEÚDO ‘VOGG’, DO RIO DE JANEIRO

Bruno Rodrigues e o “conteúdo totalflex”

A tecnologia e as novas formas de consumo de conteúdo que ela possibilita exercem uma influência incontestável sobre a atuação dos profissionais de Comunicação. Nossa atividade não é mais regida pela lógica do jornalismo tradicional de redação. E hoje, além dos usuários ativos que produzem muito conteúdo e saem distribuindo através de diversas plataformas, nós, comunicadores por formação, estamos disputando mercado com profissionais de outras áreas.

E para comentar sobre esse assunto que deixa muita gente por aí de cabelo em pé, conversamos com o prestigiado Bruno Rodrigues, Consultor de Informação e Comunicação Digital e autor de Webwriting – Redação & Informação para a Web, cuja nova edição está prevista para sair em breve. Em um papo rápido, Bruno coloca sua opinião sobre como se deve produzir conteúdo atualmente e apresenta suas expectativas para o futuro da Comunicação na Era Digital.

Bruno_Rodrigues[1] Como as novas formas de consumo de conteúdo influenciam na maneira de produzir?
Hoje, pensar e produzir conteúdo é criar materiais que não criem amarras com uma mídia específica, mas que ao mesmo tempo seja possível trabalhá-los em várias plataformas. É o que chamo de ‘conteúdo totalflex’. Nunca, no processo de criação de conteúdo, houve tanta necessidade de aliar imaginação e conhecimento às limitações e possibilidades tecnológicas. É uma tarefa que, obviamente, não é para qualquer um.

Com base nas mudanças na distribuição e produção de conteúdo, quais as suas expectativas para a Comunicação e para a atuação dos profissionais da área?
Os profissionais desta área estão próximos da desvantagem. Como este mercado supervaloriza a prática, o conhecimento é visto como necessidade secundária. Por isso, profissionais de outras áreas e que se fiam mais pelo que aprendem na Academia, como bibliotecários, analistas de sistemas e engenheiros, estão preenchendo vagas que poderiam ser de jornalistas e publicitários. Mas o jogo nem está na metade – ainda dá tempo para virar o placar.

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BLOG ‘PUBLIMINAS’ (PUBLICIDADE MINEIRA)

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Entrevista com Bruno Rodrigues, pioneiro em webwriting no Brasil

João Marcelo (@jonesmeira), redator web da Solution e colaborador do blog, entrevistou Bruno Rodrigues, pioneiro em webwriting no Brasil, um dos maiores especialistas em informação para a mídia digital da América Latina, e o terceiro a escrever um livro sobre o assunto no mundo (Webwriting – Redação e informação para a Web). O começo de tudo, redes sociais, novas tecnologias e até uma cutucada no escritor português, José Saramago. Confira:

1 – De onde nasceu seu interesse pela internet e pelo webwriting, em tempos onde os dois ainda engatinhavam?

Sempre fui muito ligado à tecnologia e comunicação, mas em meados dos anos 80, quando fiz vestibular, não havia como mesclar estas duas atividades e transformá-las em uma profissão. O microcomputador tinha acabado de ser criado, e a web só nasceria no final daquela década. Meu teste vocacional apontou informática e jornalismo, e cheguei a pensar: ‘o que vou fazer, escrever manuais para computadores?’. A bem da verdade, era só uma questão de tempo, meu grande aliado.

Quando me conectei à internet pela primeira vez, em 1995, pensei: ‘como profissional de comunicação, como posso atuar nesta área?’. E, é claro, foquei em redação. Na época, participava de duas listas de discussão sobre web e começaram a abordar o assunto ‘texto na internet’. Ninguém ali, óbvio, tinha experiência, mas todos estavam começando a tentar trabalhos na área – eu era um deles. Como havia conseguido trabalho como freelancer em assessoria de imprensa para um provedor de acesso, um dos sócios da empresa me ofereceu a oportunidade de escrever textos para os sites dos clientes. Como já havia reunido material razoável sobre o assunto, aceitei o desafio – foi assim que comecei.

2 – Algumas pessoas pensam que o webwriting apenas cria textos para a web. Quais as principais funções desse profissional?

Lidar com os vários formatos da informação no ambiente digital: foto, ícone, vídeo, tabela, áudio, gráfico e, é claro, texto. O bom webwriter, por mais que receba uma informação em formato texto, deve raciocinar: ’será que, nesta camada do site, é em texto a melhor forma de tratar a informação?’. Às vezes sim – em camadas mais superficiais -, às vezes não – em camadas de detalhamento. Além disso, é preciso entender que a ‘persona’ redator do webwriter só deve atuar quando necessário. Costumo dizer que, na verdade, quando o webwriter lida com texto, ele é ‘gestor da informação digital’, e não redator. O redator é amante da frase, o gestor da informação digital é amante da palavra, que é a chave para tudo, hoje em dia, na internet. A palavra é sinalizador, ponte, definição, auxílio – mas passa bem longe da função de expressão, que é o que uma frase procura.

3 – Com as novas tecnologias, as milhões de possibilidades que nascem todos os dias na rede, como fica a formação e a qualificação do webwriting?

O webwriter é o profissional que lida com a informação no meio digital, e ponto. Atrelar esta função ao jornalista, à beira da segunda década do século XXI, é uma visão muito limitada da atividade e das oportunidades de mercado. Existe uma quantidade enorme de profissionais de Letras e Biblioteconomia atuando na área no mundo inteiro, por exemplo. Claro que o profissional que lida com texto supera outro que não tenha intimidade com a escrita, mas é apenas o ponto zero para a qualificação de um profissional. A verdade é que temos, atualmente, até engenheiros e analistas de sistemas que se destacam na área. Esta mistura de conhecimentos é fascinante – e eficaz, não duvide.

4 – Qual a sua opinião sobre o conteúdo – profissional ou amador – gerado na/para web, e a forma como as pessoas estão consumindo informação na rede?

Muito do que se produz na web é lixo, mas sabemos que existe muito material elaborado diariamente em blogs que possui um nível excepcional, por exemplo. Já sabemos distinguir o joio do trigo, e não vejo isso mais como algo crítico para a credibilidade da web, como acontecia há alguns anos.

O consumo de informação na Rede é algo bastante complexo. Informações absorvidas de uma página web competem com outros aplicativos abertos no computador, como comunicadores instantâneos, processadores de textos e planilhas, só para dar um exemplo. Além disso, raramente navegamos com apenas uma página aberta, revezamos entre outros sites e páginas de redes sociais, como facebook e twitter. É uma competição ferrenha entre o que chamará, de fato, a nossa atenção. A multitarefa é muito bonita na teoria, mas péssima como estímulo para o acesso a informações mais aprofundadas. O que fazemos é ficar na superfície dos sites. O ‘tesouro’ da informação, que fica em camadas subsequentes e que nos ajudará a criar conhecimento, luta para ser vista. Estudos mostram que é provável que nem a geração millemi um – que está chegando à adolescência – saberá lidar com a multitarefa e ao mesmo tempo perceber que o conhecimento não está nas primeiras camadas dos sites, e sim adiante. E é missão do webwriter e do arquiteto da informação trabalhar para isso, não é obrigação de usuário algum saber o que está perdendo.

5 – Os primeiros Kindles – leitor de publicações eletrônico da Amazon – estão chegando ao Brasil. Você acha que os jornais impressos irão acabar? Em um futuro próximo, essa pode ser uma preocupação para as editoras de livros?

Vão acabar, sim, mas não agora, nem nas próximas décadas. É notório que ainda existe uma resistência cultural de séculos para aceitar que informação digital tem a mesma validade que informação em papel. A impressão é se tem é que a informação digital se esvai no ar, para muitos é difícil aceitar que ela estará, cada vez mais, disponível em rede, acessível de qualquer lugar, a qualquer hora, sem estar acorrentada a maços de papel como livros e jornais. É como se a informação precisasse estar impressa para existir – por isso as próximas gerações ainda lerão jornais em papel e livros impressos, até virar exceção. Nada será tão radical como muitos gostariam, nem lento como alguns têm esperança. O Kindle, o Sony Reader e o Nook são os abre-alas desta era, assim como de jornais de ponta c omo El País e The New York Times e suas versões digitais.

As editoras estão fora da zona de perigo pela qual as gravadoras passaram e de onde saíram gravemente feridas. Hoje, o ponto questão é: a venda de ebooks, bem mais baratos que os de papel, poderia se sustentar como centro de um modelo de negócios? Quanto tempo demoraria para esta fase de experimentação converter-se em lucro real e constante para uma editora? Já se sabe que a voracidade da pirataria em livros digitais é infinitamente menor do que acontece com a música, mas esta seria uma fase passageira? Um grupo de rock pode sobreviver à base de shows e ignorar a troca de músicas via Rede, mas e um escritor, o que ele iria fazer para sobreviver? São questões que precisam ser resolvidas o quanto antes.

Para atrair os leitores para os ebooks, surgem novas tecnologias como os ‘vooks’, livros em que música e vídeos são inseridos em meio aos capítulos, sempre no contexto da narrativa, e com o propósito de ressaltar aspectos da história e dar mais vida a cenários, personagens ou passagens da trama. Vale a pena checar em www.vook.com.

6 – E as redes sociais? Acredita que as empresas estão caminhando para um uso consciente delas ou ainda falta muito? Pode citar exemplos?

Sim, vejo o ano que vem como definitivo para a sedimentação deste mercado. Contudo, é preciso acabar com um ruído neste mercado: a proliferação de ‘experts’ em redes sociais. Um expert é aquele que tem experiência o bastante em uma área para se intitular com tal, e estamos falando em um mercado (mídias sociais) muito novo, de cinco, seis anos. Conheço poucos profissionais que, em tão pouco tempo, já merecem este título. A multiplicação de ‘expert instantâneos’ é prejudicial ao mercado, porque eles acabam por criar estratégias equivocadas para os clientes, e os resultados desastrosos mancham a imagem dos verdadeiros especialistas. Profissionais como Cláudio Torres, Nino Carvalho, Roberto Cassano e Juliano Spyer não merecem isso.

Poderia dar exemplo de grandes empresas e cases famosos em mídias sociais, mas prefiro citar o trabalho de ‘formiguinha’ que editoras brasileiras como Intrínseca e Ediouro estão realizando com seus leitores. A Intrínseca, em especial, tem sido feliz em agir de maneira certa e contar de imediato com o apoio e o trabalho espontâneo de seu público. É bonito de se ver.

7 – Sobre o Twitter, José Saramago disse: “Os tais 140 caracteres reflectem algo que já conhecíamos: a tendência para o monossílabo como forma de comunicação. De degrau em degrau, vamos descendo até o grunhido”. O que você acha dessa afirmação do escritor português?

Péssima. As gerações que estão à frente das nossas têm obrigação de facilitar o acesso ao futuro, e não embotá-lo. José Saramago deveria estimular o uso de novas tecnologias que facilitam a produção de literatura em novas plataformas, e não cobri-las de preconceito. Se procurasse conhecer mais o twitter, saberia que a limitação de 140 caracteres é uma questão de estilo, assim como acontece com a produção de textos para qualquer outra mídia. Caso eu encarasse escrita da mesma forma que ele critica os ‘grunhidos’ do twitter, poderia tê-lo taxado de ‘verborrágico’, já que ele tem costume de não usar pontuação em suas obras.

8 – Para fechar, dê algumas dicas para os profissionais que têm interesse pelo webwriting ou estão começando na área.

O principal é entender que webwriting é mais uma ferramenta dentro do universo do trabalho da informação digital. E, por isso, aprender a lidar com arquitetura da informação, otimização de sistemas de busca, direito digital, acessibilidade e tantos outros assuntos. Mas o principal é perceber que o mercado de trabalho não está nas redações de jornais, mas em áreas como sites de comércio eletrônico e intranets de empresas, por exemplo – aí estão os bons salários.

— Cursos & eventos —

quarta-feira, 28 de outubro de 2009 por Bruno Rodrigues Categoria: Sem categoria

Para quem mora no Rio de Janeiro e em outros estados, seguem as datas de cursos que irei ministrar nos próximos meses. Qualquer dúvida, estou à disposição!

12/01/10 - Curso ‘Arquitetura da Informação – Módulo Avançado: Gerenciando Projetos’ [Rio de Janeiro]

Para quem já fez o módulo básico de Arquitetura da Informação e/ou necessita entender como se lida com um projeto em Arquitetura da Informação do início ao fim. Faculdades Integradas Hélio Alonso, Rua da Matriz 49, Botafogo. Mais informações em Curso ‘Arquitetura da Informação – Módulo Avançado: Gerenciando Projetos’.

Março de 2010Curso ‘Webwriting e Arquitetura da Informação’ [Rio de Janeiro]

Será a 69a edição do meu curso no Rio, que estará completando dez anos. Serão seis aulas semanais, sempre às terças-feiras, das 19h às 21h30. Faculdades Integradas Hélio Alonso, Rua da Matriz 49, Botafogo. Mais informações em Curso ‘Webwriting e Arquitetura da Informação’.

Março de 2010Curso ‘Webwriting e Arquitetura da Informação’ [a distância]

Precisei adiar o treinamento, que começaria este mês, para março (data ainda a ser marcada). Como ensino a distância é um universo ainda novo para mim e muitos profissionais que irão cursá-lo, preferi reservar este tempo para aparar arestas e poder entregar a melhor experiência e o melhor conteúdo possíveis aos alunos. Mais informações via ead@facha.edu.br.

— Para lidar com Comunicação Digital —

quinta-feira, 24 de setembro de 2009 por Bruno Rodrigues Categoria: comunicação digital

Na maioria das vezes, nós, profissionais de Comunicação, somos até bem coerentes. Talvez porque lidemos com uma área cercada de subjetividade por todos os lados, precisamos muito bem saber o porquê de cada uma das questões que nos são apresentadas. Mas, quando entramos no terreno do ‘novo’, somos um zero à esquerda – haja incoerência.

Afinal, faz algum sentido que profissionais que lidam diariamente com imprevistos, jogo de cintura e criatividade tenham medo do novo? Caso duvide do que estou falando, então aí vai um exemplo: já virou parte do anedotário tecnológico o perfil de jornalistas que, no final dos anos 80, se agarrava à máquina de escrever em resistência ao recém-chegado computador, como se no ‘tlec-tlec’ estivesse contido o âmago da atividade jornalística, como se um texto jamais se tornasse Texto caso fosse criado em outro tipo de máquina. Era uma espécie de charme, assim como eram as redações envoltas em fumaça de cigarro. Ambos, o cigarro e a máquina de escrever, foram banidos das empresas jornalísticas, mas o que ficou – vergonha – foi mesmo o lado (lamentavelmente) antropológico da história.

Repito, haja incoerência. Pode o mesmo profissional que fez História criando ponte entre o secular Jornalismo impresso e a reportagem televisiva, há pouco mais de cinquenta anos, ainda ter receio da web, mais de uma década após sua criação? Não há mês que eu não receba um e-mail de incômodo, desprezo ou ironia de colegas de profissão que desconfiam da Comunicação Digital.

Para estes, é tudo embromação, enrolação, e não vale a pena prestar atenção ao que acontece neste mercado. A ladainha é sempre a mesma: para os resistentes, não há nada novo para aprender com a Comunicação Digital, o que se vê por aí são roupagens novas para temas antigos, apenas o meio é que muda.

Não é que concordo? A área de Comunicação sempre foi e sempre será uma área movida a novas mídias. A cada uma que surge, uma nova geração de profissionais corre para entendê-la e criar a transição entre a mídia anterior e a recém-chegada. Assim foi com o cinema, o rádio, a tevê, a web. O que pode parecer uma correria para entender a aspecto técnico de uma nova mídia é, na verdade, um movimento para tentar retrabalhar o que de fato importa: a transmissão da mensagem, a informação.

Por isso concordo que são roupagens novas para temas antigos. O que nos torna especiais é nossa capacidade de ‘reimaginar’ a mensagem e levá-la, sempre intacta, do emissor ao receptor, não importa a tecnologia e a mídia.

No rádio, era a voz; na televisão, a imagem; na web, voz, imagem, texto, navegação, interatividade e muito mais. Mais uma vez, nós criamos a ponte, e fomos bem-sucedidos.

Então, por que ainda há resistência quando falamos em e-mail marketing, redes sociais, jornalismo participativo, conteúdo gerado pelo usuário, twitter, até de blog? Não gostaria, de coração, que mais uma vez fôssemos incoerentes e que, tal qual o ‘tlec-tlec’ de vinte anos atrás, criássemos uma imagem contraditória do que realmente somos: pioneiros.

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Como em todo nicho de mercado, a Comunicação Digital pede do profissional da área atributos que também lhe são exigidos em outras áreas de trabalho – o que difere esta atividade de outras é o nível de exigência que se pede de algumas das habilidades.

Enumero abaixo três atributos que considero os mais significativos, as habilidades que representam melhor o trabalho do comunicador no mercado de mídia digital. Após tantos anos vivenciando a área, vejo nestes três itens a eficiência necessária para encarar os desafios do mercado. A eles, então:

Humildade
Não existe verdade absoluta nesta área. Como legítima filha da Informática, a internet – e, por consequência, a web – apresenta novidades tecnológicas e de comunicação a cada mês. Isso, quando não surge algo novo a cada semana – mesmo. Desta forma, é muito arriscado afirmar que uma determinada ação é *a* recomendada para se atingir um determinado objetivo. Ela é a mais adequada *naquele momento*; é possível que, pouco tempo após, surja uma nova tecnologia que transforme a anterior em antiquada. Ou pior, que a tentativa que você fez acabe se provando ineficaz. Sim, isso pode acontecer. Que fique claro que, embora a todos vendam a web como uma mídia ‘madura’, ainda há muito para descobrir, acertar e errar nesta área. Como medida de segurança para não invalidar o trabalho e o investimento do cliente, cheque o que já foi feito na área com as ferramentas que você irá utilizar. Sempre haverá o risco, mas ele será minimizado.

Curiosidade
Se você deseja ficar em dia com o que acontece neste mercado, não adianta fazer um curso a cada semestre, checar mensalmente as revistas da área e trocar esporadicamente ideias com os colegas. Este método de atualização vale para outras áreas da Comunicação, mas não em um mercado cujo conhecimento se altera em um piscar de olhos. Eleja sites e blogs nacionais e internacionais que você irá checar diariamente; inscreva-se e participe de grupos de discussão; participe de congressos e cursos online. Aproveite que os recursos para atualização nesta área estão quase todos na própria web e vá em frente.

Flexibilidade


Nunca, em nenhuma outra mídia, foi tão necessário interagir com o público para entendê-lo. É preciso, mais que realizar pesquisas, travar contato direto – se possível individual – com os jovens da geração Y, os que mais lidam com a mídia digital. Daí virá a mudança de comportamento – a *nossa* mudança de comportamento. Antes, não entendíamos o porquê de se ter um perfil no Orkut; agora, é essencial estarmos nas redes sociais para compreender este público. Celular? Vamos usá-los muito além de sua função principal. Twitter? MSN? Assine e use. Não há como lidar com a geração Y sem realizar um trabalho de imersão.

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É como um carro em alta velocidade: você, parado na calçada, tenta enxergar alguma coisa, mas pouco vê do veículo – quanto mais quem está dentro. Assim é o mercado de Comunicação Digital: por mais que você tente congelar o que acontece ao redor, nunca será possível entender 100% do que está acontecendo.

Não, de maneira alguma estou desestimulando profissionais a ingressar nesta área, pelo contrário. Meu objetivo é, sim, clarear a situação, e colocar em suas mãos a escolha de fazer parte ou não deste mercado.

Desta forma, listo abaixo pontos que você deve deixar passar em Comunicação Digital e outros em que é preciso criar um “slow motion” mental para não ficar na poeira da evolução do mercado.

— O que não merece sua atenção

Ser multidisciplinar

Esqueça. Isso é papo de área de RH: em Comunicação Digital, é preciso optar por uma área de estudo e dedicar-se a ela. Por quê? Simples: são inúmeras as possibilidades de atuação neste mercado (o que é bom), mas é impossível abarcar tudo (o que é ruim). Para atender bem os clientes, foque em um segmento, seja Desenvolvimento de Sites, Marketing de Relacionamento Online ou Redes Sociais. Só consegue lidar com ‘tudo ao mesmo tempo, agora’ quem tem muita quilometragem na área. Ou seja, especialização ainda é a palavra-chave.

Competitividade

Ser competitivo é uma coisa, achar que em Comunicação Digital as empresas se estapeiam por um cliente, é mentira deslavada. Embora o mercado não tenha a calma de uma pracinha do interior, ele está longe de ser tão selvagem quanto a disputa de uma conta de agência de publicidade. Desta forma, ainda há espaço para errar – um status que pode mudar em poucos anos. Sendo assim, experimente: ofereça serviços inovadores, crie métodos que ninguém ousou aplicar, aproxime-se do cliente de uma forma inédita. Hoje, são poucas as empresas de Comunicação Digital que fazem um bom serviço, e quem as sonda e contrata já sabe farejar aquelas que entregam um resultado final satisfatório. Aproveite.

— O que merece sua atenção

Equipe

A mistura entre autodidatas e os que têm diploma de MBA tem dado bom resultado: o nível das equipes da empresa de Comunicação Digital é de dar orgulho. Muito mais preparadas que equipes de outras áreas de Comunicação – que, às vezes, resvalam para a intuição e a criatividade e esquecem o foco no negócio do cliente -, os núcleos web já mexem com o perfil dos profissionais do mercado em geral. É um diferencial que não pode ser ignorado.

Futuro

Como adivinhar se um nicho de mercado irá estagnar? Comunicação Interna, por exemplo, teve seu ‘boom’ no final dos anos 70 e início dos 80 e depois ficou parada no tempo até se reinventar. Assessoria de Imprensa era vista como ‘prima pobre’ até poucos anos, e hoje é um segmento mais que estabelecido e acreditado. A Comunicação Digital é promissora porque mexe com uma mídia nova, simples assim. Isso significa que ainda há muito que explorar nesta área e, embora este caminho – assim como o das outras mídias – possa ser acidentado (até já foi, vide o estouro da bolha de 2000, e ainda será), as perspectivas são muito boas.

Pronto: agora está em suas mãos. Pese prós e contras e, se for a sua praia, respire fundo e vá em frente.

—– Para dizer a verdade —–

terça-feira, 18 de agosto de 2009 por Bruno Rodrigues

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Categoria: conteudo

(de minha coluna ‘Conteúdo Digital’ – site ‘Nós da Comunicação’)

chris_anderson Eu não gosto de Chris Anderson, mas admiro Chris Anderson. Sei que parece loucura, mas é assim. Há alguns anos, Anderson – editor da famosa revista de tecnologia ‘Wired’ – lançou o livro ‘A cauda longa’, que se tornaria um marco da virada 2.0 da web. Foi um sucesso. Ele ampliava horizontes e vaticinava: há mercado para todos na internet, dos pequenos aos grandes, basta conhecer os públicos a fundo. Adorei, e tudo o que se anunciava tornou-se verdade. Foi meu momento ‘Chris Anderson é Deus’.

Hoje, Chris Anderson me irrita. Tudo culpa – pasmem – da internet: há algumas semanas, li na businessweek.com que, pessoalmente, Anderson se acha Deus. Na matéria, confessa nunca ter tido vontade de ser editor do wired.com (para fazer uma dobradinha promissora com a revista, imaginem como seria fantástico!), deixando pasmos fãs do mundo inteiro; para ele, já basta a revista impressa. Por favor! E foi sincero quando disse que prefere mil vezes rodar o mundo dando palestras – e ganhando rios de dinheiro –, conhecendo pessoas e checando novas tecnologias a enclausurar-se em uma redação.

Por isso, não gosto de Chris Anderson, mas admiro Chris Anderson. Afinal, ele faz o que acha que tem de ser feito e segue em frente. Agora, por exemplo, ele acaba de lançar um novo livro, ‘Free’, que só não está fazendo o sucesso que merece pelo simples fato de apresentar ideias que metem medo – e como. Na obra, Anderson apenas ajuda a libertar o que o mercado mantém amordaçado faz anos no fundo do armário: o grito de liberdade que tudo quanto é bit – livro, música e filme – está louco para dar há tempos. Chris Anderson aumenta o som e anuncia: esqueçam o comércio de arquivos, eles agora são commodities. Para se ganhar dinheiro, é daí em diante. Não se controla a web nem o que trafega nela – é isso.

As ideias de Anderson são bem-vindas quando apontam caminhos ou dão esperança, como foi o caso em ‘A cauda longa’. Com ‘Free’, vem o arrepio e a dúvida de qual caminho tomar. Chris Anderson apenas diz a verdade, e isso incomoda – a mim e, pelo jeito, a uma penca de gente que agora me faz companhia.

Freud explica: se algo nos incomoda, mas não conseguimos desviar o pensamento, é porque nos faz pensar. Chris Anderson não é Chris Anderson à toa; se ele está onde está é porque é bom, e sendo bom, tem a obrigação de apontar o que é verdade na internet – e não falar apenas sobre a Rede ‘fácil’ que os ‘deslumbradinhos da web’ tanto amam.

Neste momento, coloco Anderson nas costas e faço coro: a Rede, amigos, por ser feita de pessoas e para pessoas, é confusa e imprevisível. Hoje, existem duas ferramentas universais para o exercício da democracia: o voto e a web. Há pouco mais de duas décadas, só tínhamos o voto, e dessa forma estávamos há milênios.

Por isso, não dá para, a cada nova ferramenta, movimento e ambiente que surge na web, tentar enquadrá-los e dominá-los, criando da noite para o dia seminários, workshops e livros sobre o que surgiu ontem. Se o mercado quer entender a internet e dela tirar conclusões, que se mude para a Rede, mas saiba de antemão que há o sério risco de sair de lá com as mãos abanando.

É possível lucrar com a web, mas é bom entender que se tomará uma rasteira a cada esquina. Se a Amazon.com acabou escorregando na casca de banana por apagar, sem autorização, arquivos de livros de George Orwell de Kindles de milhares de leitores dos Estados Unidos (questão de direitos autorais), por que não os outros? Lidar com comércio na web é como tentar adivinhar o que há após a virada de esquina. Se não há como adivinhar, então entendam que o chão se move o tempo todo.

Há mais de dez anos vivo nessa areia movediça, tentando compreender o que vejo na web. Às vezes, passam-se meses antes de eu estar pronto para escrever algo consistente sobre um assunto. Em meus cursos, faço apostas sobre os rumos da web na frente dos alunos, mas evito a futurologia. Quando escrevo um livro – como neste momento –, faço das tripas coração para falar apenas do que é sólido, e mesmo assim o chão me traga de vez em quando.

Chris Anderson e tantos outros, em maior ou menor escala – e me incluo nesse grupo –, tentam fazer o que chamo de ‘internet do bem’, ou seja, (re)lembrar a todos que a web é feita para duas coisas: 1) encurtar distâncias e 2) aproximar pessoas. Todo o resto vem daí. Se esse for o nosso norte, há uma boa possibilidade de acertarmos o que se esconde na próxima esquina.

Às vezes, fazer ‘internet do bem’ incomoda, perturba, irrita até. Ah, sim, e nos deslumbra de vez em quando. Não por acaso, é idêntico a quando nos relacionamos com qualquer pessoa, seja parente, amigo ou colega de trabalho. Fascinante e perturbador ao mesmo tempo.

Hum… acho que vou deixar Chris Anderson em paz – pelo menos por enquanto.

—– Prosa com Vint Cerf, do Google —–

quinta-feira, 25 de junho de 2009 por Bruno Rodrigues

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Categoria: Sem categoria

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Ex-aluno, amigo e profissional brilhante, Itamar Rigueira Jr, da UFMG, aproveitou a passagem por Belo Horizonte do vice-presidente do Google, Vint Cerf, para fazer uma entrevista rápida e interessantíssima com aquele que também é apontado um dos ‘pais da internet’ – com toda a razão; Cerf é criador do protocolo TCP/IP.

Itamar me pediu duas perguntas para serem incluídas na entrevista – as respostas estão abaixo. A primeira pergunta foi respondida durante a própria entrevista; a segunda é inédita.

Em tempo: para ler a entrevista em português (e na íntegra), vale conhecer o caprichado ‘Boletim da UFMG’.

1) In the context of searching, the word, pure and simple, has more capacity of communication/indexation than the sentence. Do we need to learn again to write so as to have information found quickly?

I don’t think that we need to learn to write again but it has been demonstrated that choice of words can have an impact on our ability to find relevant references (web sites) or to select relevant ads (eg. with AdWords or AdSense). More deeply, if we are able to codify the meaning of words in searchable representations, we might be able to find relevant material that does not contain the search words but rather words that mean the “same” thing. Searching databases will need semantic indexing of databases (see Tim Berners-Lee’s “data linking” ideas).

2) What’s the most absurd among false stories about Google’s activities and plans you ever heard?

There is a lot of misunderstanding of Googles intention’s for Book Search and about Google’s temporary retention of search data. The company is working to document and explain what information is used to associate users with advertisements, how long this data is preserved, what is done with the data. I think most concerns about Google can be resolved with more thorough reporting of our practices and facilitating enhanced user control of generic interest profiles used to identify interest patterns. Google far less interested in individuals than it is in cataloging patterns of behavior.